Costa pede responsabilidade a Catarina e Jerónimo

Moção do secretário-geral do PS diz que o atual quadro parlamentar "exige elevado sentido das responsabilidades" e que a estabilidade "é um bem que importa preservar"

A moção que António Costa leva ao próximo congresso do PS, entre 3 e 5 de junho, na Feira Internacional de Lisboa, contém avisos aos parceiros dos socialistas nesta legislatura. Ainda que sem abrir hostilidades de maior, o secretário-geral socialista diz que "é com justificada confiança" que o PS "encara o futuro da governação nesta legislatura", mas lembra Catarina Martins e Jerónimo de Sousa que o atual quadro parlamentar "implica um elevado sentido das responsabilidades por parte de todos as forças políticas".

No documento intitulado "Cumprir a alternativa, consolidar e esperança", o líder socialista enaltece uma e outra vez a forma como Bloco de Esquerda, PCP e PEV têm ajudado a suportar o executivo que chefia, destacando "o espírito construtivo, responsável e solidário de que têm dado mostras todos os partidos da esquerda parlamentar, profundamente empenhados num intenso trabalho conjunto de negociação permanente e procura das melhores soluções, apesar das suas diferenças".

Esse espírito, prossegue Costa, "só reforça as razões para confiar numa governação efetivamente duradoura", embora também destaque que ele não sobrevive por si só. Por isso, pede "estabilidade" a bloquistas, comunistas e ecologistas. Estabilidade essa que, escreve, "é um sinal de pacificação democrática que deve reconfortar os portugueses". "E é um bem que importa preservar", completa.

Costa faz, aliás, questão de frisar já na parte final do texto, que tem 34 páginas, que a crise dos partidos socialistas um pouco por toda a Europa não se deve às forças políticas, com menos tradição, que têm surgido à sua esquerda. Conclui até que "o adversário principal da esquerda socialista, social-democrática e progressista não são as forças à sua esquerda"; é antes "o forte desvio neoliberal do centro-direita conservador e a emergência populista, nacionalista, autoritária e xenófoba".

Assim, os principais remoques ficaram guardados para PSD e CDS e também para dentro de portas. Para os socialistas que desde o início puseram em causa o sucesso da "geringonça". "Para os tradicionais adeptos do pessimismo militante, que tanto desdenharam da solução encontrada a ponto de questionar até a sua legitimidade democrática, a confirmação da viabilidade política da solução governativa apoiada pela esquerda e esta sucessão de "provas superadas" pelo Governo constituem uma evidente derrota", atira Costa.

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