Cortes na hemodiálise foram de 17,75%

O presidente do Conselho Directivo do Colégio de Nefrofologia da Ordem dos Médicos revelou que os cortes do Ministério da Saúde à hemodiálise este ano foram de 17,75 por cento (%) e não 12,5%, como indicou esta semana o ministro.

"O ministro da Saúde, por falta de informação ou esquecimento, errou ao afirmar que os 'cortes' à hemodiálise durante este ano foram de 12,5 %. Este é o valor percentual do abatimento do preço da hemodiálise instituído unilateralmente por este Governo em Setembro", afirma João Ribeiro Santos.

Contactado pela agência Lusa, o Ministério da Saúde remeteu para mais tarde uma resposta.

Numa nota enviada à agência Lusa, o especialista em nefrologia explica que "foi omitido que, em Janeiro do corrente ano, já tinha ocorrido um outro de seis por cento", realçando: "A conta é fácil de fazer: do ano de 2010 para o de 2011 ocorreu o 'brutal corte' de 17,75% para a hemodiálise".

"Desconhecemos se foi instituído 'corte' comparável em outros sectores, mas que não pode deixar de ter sérias e negativas repercussões é uma evidência", acrescenta o responsável.

Esta semana, num encontro de dirigentes do sector da saúde sobre orientações clínicas, João Ribeiro dos Santos, antigo diretor do serviço de nefrologia do Hospital Curry Cabral, denunciou que existem clínicas de hemodiálise que não cumprem boas práticas clínicas devido aos cortes.

"Algumas boas práticas não estão a ser cumpridas por dificuldades financeiras", disse o médico que alertou o ministro para as dificuldades do sector público em acolher todos os doentes que normalmente são seguidos nos convencionados.

Na ocasião, o ministro respondeu esclarecendo que os cortes neste sector da hemodiálise - que classificou como "totalmente anormal" - foram de 12,5 por cento.

"O Ministério da Saúde não admite que, independentemente do preço, a qualidade seja diminuída, nem admite a pressão e a chantagem sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", acrescentou Paulo Macedo.

Na mesma nota, o médico lembrou que as "negativas repercussões" dos "cortes" são "particularmente sensíveis" para os pequenos grupos portugueses que trabalham na área

"Não dispõem da capacidade económica e financeira das multinacionais e não podem contar com o apoio de poderosas empresas-mãe, com elevadíssimos recursos e para quem Portugal é uma pequeníssima parte dos seus interesses", refere João Ribeiro Santos.

O especialista adianta ainda que "para aquelas pequenas empresas é vital o acesso ao financiamento bancário (cada vez mais difícil e caro) e que sejam cumpridos os prazos de pagamento com que o seu único cliente - o Estado - se comprometeu".

"A acrescer às dificuldades que o 'corte' lhes ocasionou -- e agravando a situação resultante da dívida da ADSE, velha de três anos (mais de 1.000 dias de atraso) - pelo menos uma das Administrações Regionais de Saúde, que já não cumpria o acordado prazo de pagamento a 90 dias, alargou-o de 120 para 150 dias", acrescenta.

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