Constituição é "património comum de todos os partidos" (mesmo do CDS...)

Para o presidente da Assembleia da República, "os deputados constituintes deram uma lição" ao país

Tendo a seu lado uma deputada do CDS - partido que votou contra a Constituição em 1976 - Ferro Rodrigues sublinhou hoje que a Constituição é "património comum de todos os partidos".

Falando no Palácio de Belém, depois de ter entregado ao Presidente da República um diploma de deputado honorário por ter sido um dos deputados da Assembleia Constituinte, o presidente da Assembleia da República (AR) sublinhou precisamente a ideia de unidade em torno da Lei Fundamental representada pela presença na comitiva parlamentar da deputada do CDS Teresa Caeiro, vice-presidente da AR.

Ferro Rodrigues, que foi a Belém também acompanhados dos seus outros vice-presidentes - Matos Correia (PSD), Jorge Lacão (PS) e José Manuel Pureza (BE) - afirmou que a Constituição continua a ser "algo vivo" e até mantendo "alguma da paixão intensa" que o país viveu entre 1975 e 1976, quando a Assembleia Constituinte a redigiu e aprovou.

Para o presidente da AR, "os deputados constituintes deram uma lição" ao país porque foram capazes de "chegar a um texto consensual" apesar de nas ruas se viverem tempos politicamente muito crispados e até às vezes violentos.

Antes de ir a Belém, a comitiva parlamentar esteve em casa de Mário Soares, a quem entregou um diploma semelhante ao entregue ao Presidente da República.

A Assembleia Constituinte foi eleita em 25 de abril de 1975 e cerca de um ano depois, a 2 de abril de 1976, aprovou a Constituição da República, quase por unanimidade (só o CDS votou contra). O texto foi desde então revisto sete vezes.

Ao receber o diploma, Marcelo Rebelo de Sousa proferiu algumas palavras - mas a cerimónia foi registada apenas por operadores de imagem e fotógrafos (os restantes foram impedidos de entrar).

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