Conselho de Ética critica marketing de bancos privados

Parecer assinado por Miguel Oliveira da Silva recomenda controlo da publicidade feita por empresas de bancos privados de criopreservação e defende a doação altruísta e gratuita

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) criticou hoje as campanhas de marketing realizadas por empresas privadas que fazem a criopreservação das células do sangue do cordão umbilical.

Num parecer sobre a matéria, os conselheiros defendem a colheita e conservação em bancos públicos, considerando que nesses casos "pratica-se o altruísmo, gratuitidade e confidencialidade". Sobre os bancos privados, o CNECV fala de "um modelo comercial e pago pelos depositários, com critérios de seleção e qualidade menos estritos e promessas de aplicações frequentemente irrazoáveis, apoiadas em estratégias de marketing muitas vezes agressivas e pouco transparentes".

Recorde-se que a campanha da empresa Crioestaminal, na qual uma criança doente perguntava aos pais se tinham guardado as suas células, criou uma enorme polémica e foi alvo de críticas de vários setores.

O parecer assinado pelo presidente do CNECV, Miguel Oliveira da Silva, recomenda, assim, que seja promovida a doação altruísta e gratuita do próprio cordão e placenta, através de uma campanha informativa dirigida à população, em especial às grávidas, e que sejam "desincentivados os apelos comerciais públicos à criopreservação destes produtos biológicos".

Para controlar esta publicidade, os conselheiros pedem a "particular atenção das autoridades reguladoras da publicidade" às ações realizadas em maternidades, serviços de obstetrícia e centros de saúde, interditando mesmo "qualquer tipo de remuneração ou compensação direta a profissionais de saúde de entidades públicas que incentivem ou efetuem colheitas em empresas privadas".

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