Concentração foi pequena mas deixou mensagens para a PSP

Um cartaz e uma folha A4 mostravam duas frases: "Contra a violência policial" e "Fantasma não esquecemos".

Dois jovens subiram as escadas onde ser ergue a estátua de Manuel Maria de Barbosa du Bocage para mostrar ambas as mensagens, que haveriam de acompanhar a concentração que na tarde deste sábado juntou cerca de 20 pessoas na praça do Bocage, em Setúbal, convictas de que Nuno Jorge Pires, também conhecido entre os amigos por Fantasma, terá morrido "vítima de uma agressão, com bastonada na cabeça" por parte de agentes de uma Equipa de Intervenção Rápida (EIR).

O caso continua a ser investigado pela Polícia Judiciária, que em breve deverá interrogar os agentes que estiveram de serviço na noite de 19 de fevereiro, sendo dois deles vistos a abordarem Nuno Jorge Pires através de um sistema de videovigilância. As imagens não mostram qualquer tipo de agressão, segundo a própria PSP, que também já abriu um processo de averiguações para tentar apurar os contornos da intervenção policial e identificar quem esteve de serviço nessa noite, segundo o porta-voz da polícia, Paulo Flor. A própria Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) decidiu instaurar um inquérito.

Recorde-se que a lesão que a vítima apresentava na cabeça, segundo a autópsia, pode ser compatível com uma bastonada, embora as normas internas da PSP impeçam de atingir esta zona do corpo. O homem viria a ser encontrado deitado no chão e já em coma pelo INEM na rua da Tebaida, acabando por morrer dois dias depois.

"Estamos aqui pacificamente para protestar contra a violência e homenagear o Fantasma", justificava Rogério Silva, que promoveu a manifestação via Facebook, mas apesar de ter reunido 432 pessoas que deram o "sim" na página, apenas duas dezenas se juntaram na praça do Bocage onde não foi visível polícia fardada.

A família e os amigos de Nuno Jorge Pires optaram por não aderir à concentração. "A informação que temos é que a família irá fazer a sua própria ação dia 8 de março", sublinhava Rogério, que teve ao seu lado o presidente do SOS Racismo, José Falcão. "Que o resultado do inquérito apareça, porque estas cosia têm que se começar a saber", disse, receando que "não haja justiça".

A organização ainda tentou mobilizar os presentes para uma marcha a pé pelas ruas da baixa de Setúbal "para gritar palavras de ordem", mas a proposta na foi avante, até a chuva já ameaçava.

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