Centros para reabilitar doentes do coração só em Lisboa e Porto

Portugal tem 22 centros de reabilitação. Apenas um está fora das duas principais cidades do país. Novo presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia espera ter 30% dos doentes a fazer reabilitação em 2020.

Portugal tem apenas 22 centros de reabilitação cardíaca. Destes dez são privados e 12 funcionam em hospitais públicos. Praticamente todos em Lisboa e Porto, deixando a descoberto quase todo o país e muitos doentes que tiveram enfarte sem a possibilidade de fazer uma recuperação mais direcionada acompanhada por fisioterapia, psicologia e um processo adaptado para mudanças de estilo de vida mais saudáveis. Miguel Mendes, que a partir de amanhã é o novo presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, gostaria de ter 30% dos doentes candidatos a receber reabilitação cardíaca em 2020.

Entre centros públicos e privados, o país tem apenas 22 unidades de reabilitação cardíaca. "Em 2007 os centros eram sete. Um deles foi desativado, o que funcionava no hospital Amadora-Sintra. Os centros estão concentrados no grande Porto (oito), grande Lisboa (13) e apenas um em Faro. Não há centros no Minho, Beiras, Ribatejo, Litoral Oeste, todo o Alentejo. Há uma enorme assimetria de distribuição", apontou Miguel Mendes, que também é diretor do serviço de cardiologia do hospital de Santa Cruz, durante uma das sessões do 36.º Congresso Português de Cardiologia.

O médico explica que os centros são constituídos por cardiologistas, fisiatras, psicólogos, enfermeiros, entre outros profissionais que fazem um esquema adaptado ao doente para que a recuperação da função cardíaca e da vida normal, mas agora com estilos mais saudáveis, seja um projeto que o doente assuma como seu e fundamental. A existência de poucos centros traduz-se em poucos doentes com acesso a estes programas.

Os centros públicos foram responsáveis pelo tratamento de 88% dos doentes reabilitados e os privados por 12%. "Tenho de fazer uma grande homenagem ao norte, que fruto da implementação de centros nos hospitais públicos tiveram uma atividade notável. Registaram 1364 doentes com reabilitação após alta. Nos centros privados foram 107. No sul os centros públicos trataram 314 doentes. São quatro vezes menos dos que realizaram programas nos hospitais do norte. Nos privados foram seguidos 119 doentes. Em Faro foram acompanhados 31 doentes", aponta.

Em Portugal apenas 10% dos doentes coronários são admitidos em programas de reabilitação cardíaca. Cerca de 12 600 pessoas tiveram síndrome coronário agudo em 2013. Os números nacionais de reabilitação cardíaca são pequenos e ainda longe da realidade internacional, que rondam os 30% a 50%. Mesmo assim uma melhoria em relação a 2007, ano em que apenas 4% dos doentes tiveram acesso a um programa que incide na recuperação das funções do coração e alterações de estilo de vida direcionadas para cada doente.

"Temos um número reduzido de centros e de participantes. Falta informação sobre esta área especifica, financiamento e é difícil entusiasmar os profissionais a fazerem formação na área. Também não temos uma legislação especifica. Há países onde é mandatório a ida para um centro de reabilitação cardíaca. O sonho seria ter 30% dos candidatos envolvidos em reabilitação em 2020 e ter todos os hospitais com cardiologia com um cento", disse.

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