Museu dedicado aos beatos de Fátima abre hoje

O núcleo museológico dedicado a Francisco e Jacinta Marto, que reúne objetos dos videntes, mas também do papa João Paulo II, que os beatificou, abre hoje ao público em Fátima para evocar a sua vida e espiritualidade.

Na Casa das Candeias, assim se chama o espaço da Fundação Francisco e Jacinta Marto, o visitante é convidado a fazer o percurso pela vida dos mais jovens beatos da história da Igreja, com elementos, por exemplo, da sua "casa": um garfo, uma caneca, o banco e o lenço que pertenceram à vidente, e o saco do farnel do seu irmão Francisco.

Na área do "rosto", onde dois painéis reproduzem uma pagela com a cara dos pastorinhos, os peregrinos são desafiados a descobrir o que escondem.

No caso do beato Francisco é revelada uma conta do seu rosário, encontrada na exumação dos seus restos mortais, e na Jacinta o seu rosto mostra um fragmento de ligadura usada durante os seus tratamentos médicos.

A viagem pela vida dos beatos faz o "caminho" pelo seu batismo, exibindo o fato, e, também, as reproduções dos seus registos de batismo e de óbito, chegando à beatificação com o livro do seu decreto.

O "papa de Fátima", santuário onde João Paulo II se deslocou por três vezes, tem um lugar de destaque na Casa das Candeias, que mostra a sua cruz peitoral, mas também o solidéu e um lenço, com as suas iniciais, ou um par de sapatos que lhe pertenceu.

Um relicário com fragmentos de cabelo, um terço, o primeiro exemplar da edição em árabe das "Memórias da Irmã Lúcia", autografado por João Paulo II, ou o ramo de oliveira que usou na saudação aos fiéis no domingo de ramos de 2005, no Vaticano, duas semanas antes da sua morte, são outros dos objetos patentes na Casa das Candeias, que apresenta, também, uma projeção multimédia com a história dos acontecimentos e da mensagem de Fátima.

À agência Lusa, a postuladora para a causa da canonização de Francisco e Jacinta Marto, irmã Ângela Coelho, justificou a escolha do nome do núcleo museológico: "O Francisco e a Jacinta, durante a sua infância, na sua brincadeira, gostavam de chamar ao sol a candeia de Nosso Senhor e à lua a candeia de Nossa Senhora".

"Por outro lado, no dia em que foram beatificados, 13 de maio de 2000, aqui em Fátima, pelo papa João Paulo II, ele chamou-os 'estas duas candeias que Deus acendeu para iluminar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas'", referiu a religiosa, adiantando: "Então resolvemos chamar a este espaço 'casa', porque queremos que seja um espaço acolhedor e de ternura, e 'das candeias', os nossos dois pastorinhos".

Ângela Coelho adiantou que, "as peças talvez mais valiosas" do núcleo museológico estão em dois relicários, em forma de candeia, "um fragmento de uma costela de Francisco Marto e um pedacinho de cabelo da Jacinta Marto".

A postuladora afirmou que foi a necessidade de remodelar a casa onde agora está o núcleo museológico, inaugurada a 04 de abril de 1967 e situada nas imediações do Santuário de Fátima, conjugada com o acervo "muito rico" de objetos pertencentes aos beatos, mas também de objetos doados por João Paulo II à causa da canonização, que levaram à criação do espaço.

A Casa das Candeias, inaugurada na sexta-feira, dia em que passaram 95 anos da morte do beato Francisco, está de portas abertas todos os dias, das 09:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00, com entrada livre.

Na mesma ocasião, abriu a sala Luís Kondor, que reúne artigos do sacerdote que foi o grande impulsionador da beatificação dos videntes.

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