Centro de saúde em Coimbra sem condições para receber doentes

A secção regional do Centro da Ordem dos Médicos diz que há tetos a cair, tomadas a cheirar a queimado e zonas para deficientes que não servem

Um centro de saúde do terceiro mundo. É esta a definição de Carlos Cortes, presidente da secção regional do centro da Ordem dos Médicos, faz do centro de saúde Fernão Magalhães, depois de ter visitado o espaço há dois dias. Fala tetos a cair, tomadas queimadas, elevador para deficientes avariado e a até uma casa de banho para pessoas com mobilidade reduzida que tem um degrau. A Administração Regional de Saúde do Centro diz que está empenhada em resolver o problema, mas que ainda não conseguiu encontrar um espaço alternativo.

"Encontrámos uma situação do terceiro mundo. É um edifício com 60 anos, de habitação, com escadas estreitas e elevadores muitas vezes avariados. Constatámos que na zona da entrada há um elevador para deficientes por causa de umas escadas, mas estava avariado. Têm de ser os funcionários a levar a cadeira de rodas em braços. Ouvimos que há uns anos tiveram de retirar de pé uma pessoa que morreu, porque a maca não cabe no elevador e as escadas são estreitas", diz ao DN Carlos Cortes.

O responsável da Ordem dos Médicos acrescenta que há um cheiro permanente a sair das tomadas elétricas, que muitas estão queimadas, que há tacos de madeira levantados por causa da humidade e que houve utentes que se ofereceram para arranjar alguns gabinetes. "Há uma casa de banho para deficientes, onde a sanita está num degrau. As janelas têm má vedação e no verão o calor é insuportável. Os médicos compraram um ar condicionado para um dos gabinetes. Há zonas em que o teto está a cair", denuncia.

"Há uma sensação de desprezo, de que o centro de saúde saiu do mapa. Não se pode alegar falta de dinheiro, porque se fizessem algumas remodelações ajudaria a melhorar as condições para doentes e profissionais", acrescenta. Estão inscritos no centro de saúde e extensões associadas 26 mil utentes. Ao DN chegaram fotos de utentes que mostram algumas das situações denunciadas agora pela Ordem dos Médicos.

"Se fosse uma clínica privada, amanhã estava fechada. Não podemos permitir que tudo isto aconteça no setor público. E há outro problema, que é a falta de medicamentos considerados por nós imprescindíveis, sobretudo nas extensões de saúde. Não têm por exemplo medicamentos para atender um enfarte e houve um caso de um diabético em hiperglicémia que teve de ir para a urgência do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra porque o centro de saúde não tinha insulina rápida", afirma.

Ao DN, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) diz estar empenhada em encontrar um novo espaço para o centro de saúde e nega a falta de medicamentos. "Trata-se de uma unidade de saúde que funciona no perímetro urbano de Coimbra, que serve uma população muito específica, caraterísticas estas que tem tornado o processo muito difícil pelas ofertas praticamente inexistentes. No entanto, a ARSC continua determinada em encontrar esse espaço alternativo que reúna as necessárias condições de acessibilidade e de conforto para utentes e profissionais. A ARSC informa que o Centro de Saúde Fernão de Magalhães não tem falta de insulina rápida nem de adrenalina. Mais se informa que a nível do Armazém Central da ARSC, o setor da farmácia tem todos os medicamentos necessários para fornecer às unidades de cuidados de saúde primários".

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