Centro de Cibersegurança em alerta para as eleições

O DN esteve hoje na "sala de situação" do Centro Nacional de Cibersegurança onde técnicos, operacionais do SIS e da PJ avaliavam as redes das candidaturas e partidos

Nos ecrãs que cobriam quase todas as paredes da sala de operações, estavam vários quadros coloridos com gráficos de curvas. Cada um dizia respeito aos potenciais "alvos" que a equipa do Centro Nacional de Cibersegurança selecionou, com base na avaliação de risco feita pelas secretas (SIS - Serviço de Informações de Segurança): todos os sites das candidaturas presidenciais ativos, as páginas de internet dos partidos políticos e as principais polícias (PJ, GNR e PSP).

"Nas últimas eleições houve alguns ataques a sites de partidos e, por isso, desta vez, quisemos criar um sistema de deteção, através do qual sabemos se o site está a perder a sua capacidade de resposta por causa de ataques dirigidos", explica-nos Lino Santos, o Diretor do Departamento Operacional.

Os gráficos estão "tranquilos", como dizia Mauro Silva, um dos operacionais de informática presente. "Tranquilos" quer dizer que, à hora que estivemos na "sala de situação", o tempo de resposta nos sites monitorizados, sempre que alguém lhe acedia, estava "dentro do normal", nunca mais de cinco segundos. Quando o tempo de resposta se aproxima dos 10 segundos já é motivo para os técnicos fazerem um "zoom" no ecrã e tentar perceber o que se passa.

Uma curiosidade: o quadro da PJ estava bloqueado. Porquê? Porque o sistema de alertas desta polícia detetou a monitorização que estava a ser feita a partir do Centro e... bloqueou o acesso. "Bom sinal", sublinha Lino Santos, "estão preparados e a trabalhar bem".

O quadro da PJ estava bloqueado. O sistema de alertas desta polícia detetou a monitorização que estava a ser feita a partir do Centro e... bloqueou o acesso

A ativação desta sala de situação, onde estavam presentes, além dos operacionais do Centro Nacional de Cibersegurança, elementos do SIS e da PJ, tem "como principal objetivo os ataques de ativistas políticos". Os "hacktivistas" (kackers+ativistas) tentam marcar a sua presença de várias formas: provocar um bloqueio nos sites para impedir que se aceda; alterar as homepages dos sites colocando mensagens ou imagens de conteúdo político; publicar dados que não sejam públicos. Nenhuma destas situações aconteceu nestas presidenciais, que tivesse passado pelos ecrãs do Centro.

Lino Santos sublinha que "está criada uma rede de pontos de contacto em várias entidades, desde o próprio ministério da Administração Interna às operadoras de telecomunicações, ministérios, candidaturas e partidos políticos".

"Temos o contacto direito de cada um dos responsáveis informáticos, para o caso de detetarmos alguma coisa, ou eles detetem, e comunicarmos de imediato", afirma. No caso do MAI, "o centro nevrálgico do processo eleitoral, estamos a funcionar como "um espelho", sublinha ainda este alto responsável, "os sistemas estão em ligação permanente, em tempo real".

O Centro Nacional de Cibersegurança tem ainda o apoio de 60 organismos internacionais, que funcionam em permanência na deteção de "incidentes" informáticos à escala mundial e informam o Centro de Cibersegurança sempre que apanham algum caso relacionado com Portugal. Estas entidades detetam, em média, um milhão e 200 mil "incidentes" por mês, dos quais 40 mil dizem respeito ao ciberespaço nacional. A maior parte estão relacionados com o phishing eletrónico, visando a fraude bancária.

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