CDS quer acabar com o tabu dos "temas de esquerda"

Porque é que o combate à precariedade não está na agenda dos centristas? Sete pesos pesados do CDS, entre os quais João Almeida e Adolfo Mesquita Nunes, lançam o desafio

Os autores da moção "Fazer Melhor - um CDS com ambição" vão apresentar no 26º congresso do CDS um conjunto de ideias que visam alargar a base eleitoral do partido, uma maior abertura à sociedade civil e colocar um ponto final no "receio" de pegar em algumas bandeiras temáticas, tradicionalmente empunhadas pela "esquerda". João Almeida (ex-secretário de Estado da Administração Interna), Adolfo Mesquita Nunes (ex-secretário de Estado do Turismo) e outros deputados e dirigentes (Ana Rita Bessa, Cecília Meireles, Diogo Belford, Helena Nogueira Pinto e Maria Graça Silveira, andaram pelo país a "ouvir dezenas de pessoas", que lhes transmitiram aos suas "experiências" e lhes sugeriram "propostas úteis".

"A todos perguntámos o mesmo, ou começámos por perguntar o mesmo: porque é que não está no CDS? O que o impede de estar aqui connosco, como militante, a assinar uma moção? Porque é que o CDS não é a sua primeira escolha, a mais natural, na hora de votar?", contam na moção.

Uma ideia que "esteve sempre presente nas conversas que tivemos, como se se tivesse detetado um receio, ou preconceito, do CDS em dar resposta a problemas concretos das pessoas, apenas porque a esquerda se apropriou desses problemas". Uma das frases que "melhor expressa o repto que nos foi lançado foi-nos dita desta forma: "não quero ter de aderir aos precários inflexíveis para ter de ter uma resposta ao meu problema de precariedade".Foi uma frase que nos deixou a pensar".

Estes centristas não se "conformam" com a "tradição política em Portugal" de "consignar alguns temas políticas à esquerda. Como se só esses partidos pudessem ter solução para tais problemas".O que vão propor como estratégia para a futura liderança do CDS é que se quebre esse tabu. "Onde há portugueses com problemas, o CDS tem que estar presente com soluções. O que nos distingue da esquerda são as propostas políticas e não a divisão das áreas atribuídas a cada espaço político", salientam.

Outra ideia que defendem é a criação de um Conselho Económico e Social, na esfera do partido, mas aberto a personalidades fora do CDS. "Não queremos galerias de notáveis. São bem-vindos, mas não é disso que falamos. Queremos juntar, de uma forma informal mas institucionalizada, aqueles que nas principais questões com que o país e o partido se confrontam podem dar um contributo válido. Não têm que concordar connosco, mas devem ser ouvidos. Não têm que ser do CDS, mas devem ser ouvidos", explicam. Pretendem que este grupo de personalidades se reúna "com regularidade para debater uma agenda previamente definida por quem, na direção do partido, tenha essa responsabilidade" e que os "seus membros acrescentem valor ao partido e que isso beneficie as políticas públicas a apresentar".

Para ir "mais longe" na divulgação das suas ideias e "rápidos a desmontar os argumentos da esquerda", estes centristas defendem "o aprofundamento da profissionalização da comunicação do CDS". Sem isso, alertam, "corremos o risco de perder o comboio. Mas mais do que isso, sem essa profissionalização corremos o risco de dispersar recursos e de perder oportunidades. É a profissionalização, pela sua técnica e sistematização, que potencia o que melhor temos para comunicar: as nossas ideias".

Na organização interna do partido e para promover uma maior participação dos seus militantes, assumem a possibilidade de primárias para a escolha dos candidatos a deputados. Os subscritores reconhecem "a tensão que se cria nos momentos de escolha da apresentação do partido a votos".

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