CDS. Partido quer dissuadir despedimentos de trabalhadores com mais de 45 anos

Filipe Lobo d'Ávila, Helder Amaral, Abel Batista são alguns dos principais subscritores da moção de estratégia global "Juntos pelo futuro: compromisso com as pessoas". Defendem que o PP (Partido Popular) seja eliminado da sigla e que o partido volte às origens. Apenas CDS.

Dissuadir despedimentos de trabalhadores com mais de 45 anos é uma das medidas que vai ser proposta pelos subscritores desta moção - assinada já por 680 centristas (o limite mínimo era 300) - que vai ser apresentada no próximo congresso do CDS, que se realizará nos dias 12 e 13 e março. Neste documento, a que o DN teve acesso, os autores, entre os quais deputados, ex-governantes e diversos líderes distritais, apontam vários caminhos para marcar aquela que deve ser a sua identidade e os "valores indissociáveis da matriz do CDS. A "opção preferencial pelos mais pobres, na defesa da vida e dos direitos humanos, os direitos das crianças, a defesa da família e uma verdadeira economia social de mercado, regulada e equitativa".

No mercado laboral, prometem defender a "formação e valorização permanentes ao longo da vida, articuladamente com legislação dissuasiva dos despedimentos de trabalhadores com mais de 45 anos". No entender dos autores desta moção, entre os quais o atual porta-voz da comissão executiva do CDS e o deputado Helder Amaral, estes trabalhadores são "aqueles em maior risco de desemprego de longa duração" e, por isso, "a valorização da experiência, o estímulo de encontro ativo entre trabalhadores e empregadores, o prémio que quem ativamente patrocina este fator de desenvolvimento, serão sempre preferíveis a subsídios e soluções de recurso". O "desemprego de longa duração de trabalhadores com mais de 45 anos é uma chaga social, uma nova forma de pobreza; merecerá o nosso combate construtivo e consequente. A família que defendemos também depende dessas medidas".

Por outro lado, em relação ao jovens, para os quais são sugeridas "políticas de emprego ativas", é assumida uma defesa da emigração. Mas organizada e desejada. "Que nos desculpem os demagogos maniqueístas, mas não vemos mal numa política dinâmica articulada de empregabilidade a nível europeu. Não temos nada contra a mobilidade que, geralmente, forma, enriquece, qualifica. Queremos obviamente que os nossos jovens possam, querendo, encontrar emprego dentro de portas, mas que o caminho de uma carreira internacional não seja por exclusão e por falta de oportunidades em Portugal. Teremos sempre orgulho não complexado em todos os que ostentam e honram o nome de Portugal nos diferentes países", é salientado na moção.

Para a gestão interna do partido, os autores apelam a que a futura liderança permita que, além de "mobilizar novos talentos e novos militantes", seja dada "oportunidade a todos internamente". "Embora a opinião pública não o tenha sentido, nem o tenhamos conseguido demonstrar, o CDS nunca foi um partido de unanimismos. O CDS sempre foi um partido de debate, um partido de troca de ideias, um partido plural. É assim que deve continuar", assinalam. Recorde-se que Lobo d'Ávila, ex-secretário de Estado da Justiça e da Administração Interna, foi um apoiante convite da candidatura de Nuno Melo à presidência do CDS, a qual, como se sabe, não se concretizou.

Estes dirigentes centristas, nacionais e locais, querem que as estruturas partidárias distritais tenha mais poder de decisão na escolha dos candidatos a deputados, "privilegiando, sempre que possível, os ativos políticos, com ligação à respetiva região". No seu entender, o "reforço da identidade do CDS passa por atos que, sendo meramente simbólicos, demonstram o caminho" que pretendem seguir. A alteração da sigla é um exemplo que propõem. Eliminar o PP (Partido Popular), expressão introduzida pelo ex-presidente Manuel Monteiro, "passando a utilizar, única e exclusivamente a sigla CDS".

Para a estratégia eleitoral futura assumem alguma dificuldade de definição devido às "incertezas" do cenário político. "Não sabemos se teremos eleições autárquicas seguidas de regionais, legislativas e presidenciais; ou se, ao invés, teremos eleições legislativas, autárquicas, regionais e presidenciais. A instabilidade política a que hoje assistimos demonstra-se também na incerteza do calendário político e eleitoral. É esta a nova realidade que os socialistas de António Costa trouxeram a Portugal".

De qualquer forma, como "partido institucionalista" que, "por regra" entende que "os mandatos eleitorais devem ser cumpridos integralmente", os autores da moção querem que o CDS faça "um caminho de afirmação, de diferenciação, de oposição responsável e frontal". Esse caminho "deve ser feito com a afirmação eleitoral de um CDS independente e autónomo de qualquer outra força política, validando a sua força, o seu líder, o seu projeto e as suas ideias junto aos portugueses". O garantem que "o CDS não é, nem nunca foi, os Verdes. E a PaF não é, nem nunca foi, a Coligação Democrática Unitária (CDU). Para as legislativas "é esse o caminho". Oi seja, que Assunção Cristas não se alie a Pedro Passos Coelho e mostre, por si, o que vale.

Já para as eleições autárquicas, é defendida outra atitude. "Entendemos que a afirmação dos nossos autarcas, a consolidação das alianças locais vencedoras, assim como a formação de alianças potencialmente vencedoras, devem ser encaradas" como a opção mais adequada. "Sabemos quem são os nossos adversários políticos e sabemos quem são os nossos aliados naturais. Mas não nos confundimos com adversários nem nos diluímos com aliados".

Esta sexta-feira, até à meia-noite, é o prazo limite para a entrega de moções ao congresso. Até ao momento, além da referida neste texto, está prevista a divulgação de, pelo menos, outras quatro importantes, entre as quais a da própria candidata única à liderança, Assunção Cristas, na sede do CDS, logo às 18 horas.

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