Catarina Martins: "Não me sinto obrigada a defender a governação do PS"

Com as feridas internas saradas, líder do BE ensaia um discurso virado para fora, mesmo que pela primeira vez tenha defender a geringonça num conclave do partido

É da história: nunca um líder do Bloco de Esquerda (BE) foi a uma Convenção falar perante os militantes apoiando uma solução de Governo como Catarina Martins fará este fim de semana. No entanto, a porta-voz nacional dos bloquistas desdramatiza o cenário e prefere colocar o acento tónico nas responsabilidades que o partido agora possui.

Mesmo que reconheça que internamente o Bloco é hoje um partido com menos cisões do que há dois anos, em que Pedro Filipe Soares liderou a Esquerda Alternativa e desafiou a coordenação partilhada de Catarina e de João Semedo, a líder do BE, aponta para fora. "Internamente é uma Convenção com grande capacidade de união, com uma enorme síntese entre as diversas sensibilidades, com uma capacidade de trabalho conjunto grande", começa por salientar, para depois vincar que "do ponto de vista das responsabilidades externas não é mais fácil".

E fundamenta afirmando que fazer parte de uma maioria parlamentar sem ser Governo não a iliba de responsabilidades políticas. No entanto, lamenta que "muitas das ideias fundamentais do Bloco não sejam postas em prática" pelo Governo de António Costa.

Por isso, e com um apelo implícito à mobilização popular, sustenta que "o Bloco tem de ganhar força para poder ser um projeto transformador do país" e alerta que a discussão é, por outro lado, mais exigente, num quadro em que a União Europeia está "em acelerada desagregação". "Não há nenhum debate político sobre a Europa que seja simples neste momento", reforça.

Em todo o caso, e sem votar ao esquecimento a ideia que o seu partido é indispensável para a sustentabilidade da "geringonça", atira: "Não me sinto obrigada a defender a governação do PS. O BE está convictamente numa solução que permitiu afastar a direita do poder e iniciar uma recuperação de rendimentos e esse caminho é muito consensual no BE, não precisa propriamente de ser defendido na Convenção."

Seja como for, no plano interno, a hora no BE é de agregação. As feridas abertas há dois anos estão saradas e a Plataforma Unitária e a Esquerda Alternativa avançam juntas com uma moção de orientação política. Mais: resolvida a crise interna, deixará de existir a comissão permanente de seis elementos e a coordenação voltará a ter um só rosto - apoiado por um secretariado que será eleito na próxima semana. É o tempo de Catarina.

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