Catarina e Jerónimo multiplicam avisos a Costa

Afirmações do Presidente da República garantindo que não haverá "crise" no OE 2019 irritaram os líderes do BE e PCP. Está tudo em aberto, avisam

"Todos sabem como este momento europeu é um momento difícil e que obriga a decisões difíceis e complicadas para todos e também para Portugal". Portanto, "ninquém quer juntar às complicações que vêm de fora, complicações de dentro". Ou seja: "Esse bom senso faz com que não haja a temer qualquer tipo de crise ou qualquer tipo de problema com o Orçamento do Estado".

Estas afirmações, sábado, do Presidente da República, em Ponta Delgada, tiveram o condão de levar tanto a líder do Bloco de Esquerda como o do PCP, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, a multiplicar avisos sobre o sentido de voto dos respetivos partidos no próximo Orçamento do Estado (OE 2019). Ambos quiseram dizer o mesmo: não está nada decidido.

O BE fará este ano o que fez todos os anos: a negociação para garantir o cumprimento dos acordos de 2015 para recuperar salários e pensões

Fizeram-no sábado e fizeram-no este domingo outra vez. Falando a jornalistas durante uma visita à Feira do Livro de Lisboa, Catarina Martins explicou que para o BE a perceção da Europa é indiferente: "Em cada matéria em que nós puxamos pelas condições de vida de quem trabalha neste país a União Europeia reagiu negativamente, mas a economia reagiu positivamente e as pessoas reagiram positivamente. O que mede a atuação do BE é a convicção que nós temos de servir quem aqui vive, quem aqui trabalha, quem constrói o país todos os dias".

Acerca das negociações para o próximo OE, Catarina Martins disse que "o BE fará este ano o que fez todos os anos: a negociação para garantir o cumprimento dos acordos de 2015 para recuperar salários e pensões, para proteger os serviços públicos, para que Portugal possa ter mais justiça na economia".

Sublinhando logo a seguir que "seria uma desilusão se alguém abdicasse da possibilidade de irmos mais longe, até para as pessoas sentirem na sua vida concreta ganhos da atual solução política". "Sabemos que foi importante esta possibilidade de novo respeito pela dignidade de quem trabalha no país", enfatizou.

Ou seja: "Passos atrás, naturalmente, nenhum de nós pode permitir." Porque "é para cumprirmos essa expectativa, esse compromisso que temos para com uma maioria social que luta tanto para dar conta das mais básicas necessidades todos os dias, que o BE cá está para ter toda a exigência em que os acordos de 2015 sejam cumpridos".

Em Cuba, ao encerrar uma reunião da organização regional de Beja do partido, Jerónimo de Sousa reafirmou que, em relação ao OE 2019, o PCP espera para ver e só depois decidirá.

O líder comunista explicou mesmo os caminhos para os quais o seu partido está a ser pressionado. "Há quem ache que o PCP não deveria continuar a travar o combate para que o OE mantenha uma linha de reposição de direitos e rendimentos" e outros que "pressionam para que o PCP dê o seu acordo prévio a uma proposta que nem sequer existe". Porém, "uns e outros enganam-se".

"O PCP não abdica de nenhum combate sem o ter travado", vincou, dizendo que a decisão do partido será tomada após "o exame concreto" ao documento e "verificação se ele corresponde aos interesses dos trabalhadores" e se avança "na reposição e conquista de direitos".

No entanto, a "crescente aproximação e convergência do Governo do PS com PSD e CDS" faz aumentar "justas preocupações" com o futuro, nomeadamente em relação à "evolução da política de recuperação de rendimentos e direitos, dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, e de promoção do desenvolvimento do país".

E sinal disso foi o recente acordo de concertação social - no qual a CGTP não alinhou - e que, no entender do secretário-geral do PCP, "põe a claro os limites do Governo do PS em relação à solução dos problemas de fundo que estão presentes na realidade social e laboral portuguesa".

Quanto às próximas legislativas, Jerónimo repetiu o apelo para que o PS não tenha maioria absoluta. "Muito do que se conseguiu, embora aquém do que era necessário, só se tornou possível numa correlação de forças em que o PS não dispõe de um governo maioritário". "Fosse outro o resultado das eleições, fosse outra a correlação de forças na Assembleia da República, favorável à formação de um governo maioritário do PS, e os passos dados não seriam para diante mas para trás."

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