Casal português sem dia marcado para rever filhos

Um casal português ao qual os serviços sociais britânicos retiraram os cinco filhos por suspeita de maus tratos diz ter aceite uma série de condições impostas para rever as crianças, mas o reencontro não tem data marcada.

"Disseram-nos que seria esta semana, mas ainda estamos à espera. Se não chegar até à próxima sexta-feira, teremos de tentar através do tribunal", disse esta sexta-feira Carla Pedro à agência Lusa.

Na reunião de terça-feira com um assistente social, foi-lhes dito que só poderiam reencontrar os filhos em visitas separadas, uma com os três mais velhos (com sete, 13 e 14 anos) e outra com os dois mais novos (de três e cinco anos).

"Só nos dão aviso uma ou duas hora antes, temos de ser escoltados e transportados por uma companhia de segurança privada e de entregar os telemóveis", afirmou o pai, José Pedro, à Lusa.

Embora considere as condições exageradas, tendo em conta que a investigação policial por suspeita de conspiração para raptar os filhos, à guarda dos serviços sociais desde abril de 2013, foi arquivada por falta de provas, confessou ter aceite: "Estamos cheios de saudades".

O último contacto do casal, residente em Grantham, no condado de Lincolnshire, leste de Inglaterra, com os cinco filhos foi em janeiro, um mês após o Tribunal de Família ter determinado a entrega dos três filhos mais velhos a uma família de acolhimento "a longo termo" e dos dois mais novos para adopção.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, afirmou a 18 de abril que "os serviços sociais do condado de Lincolnshire aceitaram iniciar o processo administrativo que poderá conduzir a entrega da guarda das crianças a uma instituição portuguesa, na ótica de os cinco irmãos se manterem juntos, que foi a nossa preocupação desde o início".

As negociações com as autoridades portuguesas terão continuado, porém, a José Pedro, os serviços sociais britânicos afirmaram que "não existe acordo nenhum e que o processo de adopção não parou".

O casal disse manter a intenção de avançar com um pedido de "revisão judicial" para o Supremo Tribunal de Justiça [High Court].

Contactada pela agência Lusa, a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas não se mostrou disponível para comentar o caso.

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