Cardiologista alerta para aumento de doenças cardíacas

O cardiologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Luis Elvas, alertou hoje para os riscos acrescidos de doenças cardíacas em "situações de crise e de grande stresse", mas o presidente da Associação Portuguesa de Arritmologia desdramatiza a situação.

"Está descrito que o stress pode influenciar negativamente algum tipo de situações, mas não devemos ser demasiado alarmistas e pensar que as doenças cardiovasculares ou de morte súbita vão aumentar devido à situação de stress económico", afirmou Carlos Morais, em declarações à Lusa.

Carlos Morais falava à margem do 13º Encontro Internacional de Doenças Cardiovasculares de Coimbra, a decorrer até sexta-feira nos Hospitais da Universidade do Centro Hospitalar de Coimbra (HUC-CHUC), depois das declarações de Luís Elvas, que disse que a situação económica atual pode aumentar o número de pessoas com doenças cardíacas.

"A situação stressante que se vive por causa dos problemas económicos, acredito que seja um passo para haver, não direi uma explosão, mas um aumento do número de doenças cardíacas, incluindo as arritmias e eventualmente a morte súbita", afirmou.

Além do stresse de lidar com problemas económicos, "as pessoas não têm ou têm pouco dinheiro para ir às consultas, ao hospital, fazer exames de rastreio", o que, na opinião do especialista, também contribuirá negativamente.

"Todas as situações stressantes, que causam ansiedade, têm um peso especial nas arritmias e doenças cardíacas e é um facto que, em situações de crise, de grande stress, os problemas cardíacos aumentam", acrescentou Luis Elvas, que já presidiu à Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE).

Já o atual presidente da APAPE, que abordou no encontro o tema "A prevenção da morte súbita, um desafio para a sociedade", apesar de desdramatizar a situação, defende que a atual a crise que se vive no país "não nos pode afastar da discussão destes grandes temas".

"Provavelmente, há recursos económicos que podem estar (a ser) inadequadamente gastos em outras situações e que podiam ser alocados a estas", disse.

Uma das terapêuticas que podem salvar um paciente da morte súbita é o cardioversor-desfibrilhador implantável (CDI), descrita hoje pelo especialista como "única e insubstituível".

"Muitas vezes, há uma noção errada do alto custo destes dispositivos, mas quando se fazem análises verdadeiramente corretas, envolvendo todas as variáveis, percebemos que é um custo perfeitamente aceitável para a sociedade", considerou.

A morte súbita foi descrita pelo especialista alemão Lars Eckardt como "um evento natural inesperado, que ocorre no espaço de uma hora desde o aparecimento dos sintomas, num indivíduo saudável ou cuja doença não previa o desfecho fatal".

Lars Eckardt falou da "morte súbita em formas raras de cardiomiopatias", tendo afirmado que "o diagnóstico e a terapêutica destas doenças continua a ser um desafio".

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