Campeão de cartas Pokémon a caminho do Havai

Depois de conquistar, pela segunda vez, o campeonato nacional de cartas Pokémon, João Motrena prepara-se para viajar, também pela segunda vez, até ao Havai, para participar no campeonato mundial da modalidade e melhorar o 59.º lugar de 2010.

Aos 13 anos, João Motrena divide o seu tempo entre a escola, os jogos de futebol da sua equipa, pela qual alinha como guarda-redes, e o 'hobby' das cartas Pokémon, que apesar de não lhe ocupar muito tempo, já lhe valeu a conquista de dois campeonatos nacionais da modalidade - este ano e em 2010 - e a participação no campeonato mundial também em 2010, no Havai, nos Estados Unidos da América, onde conseguiu um 59.º lugar.

Este ano vai repetir a experiência do campeonato mundial, novamente no Havai, mas com expectativas mais elevadas.

"Desta vez espero ficar no top16, porque há dois anos ainda não tinha muita experiência. Fiquei em 59.º lugar, mas este ano acho que vai correr melhor", disse à Lusa João Motrena.

O 'hobby' das cartas Pokémon começou em 2008. Foram os amigos quem lhe deu a conhecer o jogo e nesse mesmo ano decidiu participar pela primeira vez num campeonato nacional.

"Só fiquei em quarto lugar, não sabia jogar tão bem como sei agora", disse João, que competiu pela primeira vez na categoria de juniores, tendo passado aos 10 anos para a categoria de seniores e, se continuar a jogar, aos 16 passa a integrar os 'masters'.

A ideia subjacente ao jogo é uma 'luta' de Pokémones, figuras com poderes especiais que, em sentido figurado, podem desferir ataques mais perigosos ou defender-se dos ataques dos adversários consoante as cartas jogadas, cartas essas que, entre outras coisas, podem dar aos Pokémones mais energia.

O jovem campeão nacional explicou que ganhar ou perder tem mais a ver com estratégia do que com sorte, e lutar pela vitória passa desde logo pela composição do baralho de 60 cartas que cada jogador utiliza. Entre as cerca de cem cartas disponíveis a cada ano para os apreciadores deste jogo, é preciso escolher as 60 de forma a conferir ao baralho o equilíbrio necessário entre o ataque e a defesa.

Depois, é preciso algum treino, mas sem grandes pressões.

"Não passo muito tempo a jogar, só aos fins-de-semana, em que vou aos torneios aos domingos de manhã", disse João Motrena, que revelou também que acompanha os jogadores de referência da modalidade, sobretudo japoneses e norte-americanos, em fóruns na Internet, e em canais de vídeo e páginas na Internet dedicados ao tema.

Este ano, no Havai, João espera perder a vergonha e chegar à fala com os ídolos.

"Ainda não falei com nenhum campeão, mas espero fazê-lo este ano", declarou.

Para o pai, que também se chama João Motrena, o 'hobby' do filho implica alguma disponibilidade da sua parte. Não só as manhãs de domingo passadas nos torneios em que o filho treina, mas também disponibilidade financeira.

"Não vou fazer contas, porque já gastei muito de certeza. A este nível já se torna muito exigente", contou à Lusa o pai do jovem João.

Comprar cartas 'online', procuradas pela mais-valia que podem representar para a composição do baralho, é uma das despesas. A carta mais cara na coleção do João, uma carta rara, custou-lhe 60 dólares, mas podem facilmente ultrapassar os 100 dólares.

João tem também o hábito de trocar cartas por correio, mas com as devidas precauções.

"Sei o valor das cartas, se precisar da carta troco mais cartas por ela. Há certas pessoas com quem é melhor não trocar, porque têm má fama", revelou.

O João, pai, revelou que o João, filho, já por várias vezes o tentou ensinar a jogar, mas sem êxito. E não está preocupado com o tempo que o filho dedica às cartas, até porque acha que ele sabe "gerir bem os seus tempos", e tem orgulho nos títulos de campeão nacional conquistados.

São esses mesmos títulos que lhe garantem uma viagem paga até ao Havai, com direito a um acompanhante. Este ano, entre 8 e 13 de agosto, será a vez de a mãe acompanhar o jovem João, e quem sabe para viver uma pequena aventura como a que viveu com o pai em 2010.

"Tomámos banho no Havai numa praia que tinha tubarões e não vimos os avisos", lembrou o pai.

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