Câmara espera saber no final da semana qual o responsável pelo surto de legionela

Indicação foi dada pelas entidades que estão a investigar a origem do surto à Câmara de Vila Franca de Xira. 25 famílias já pediram aconselhamento jurídico.

À Câmara Municipal de Vila Franca de Xira já chegaram dois pedidos de aconselhamento jurídico para processar o ou os responsáveis pelo surto de legionela que afetou 331 pessoas e matou oito.Sexta-feira assinala-se dia de luto municipal.

Já terão sido marcadas reuniões com o jurista da autarquia para saber que passos podem ser seguidos. Mas as ações só devem acontecer depois de se saber em definitivo qual a torre ou torres de refrigeração responsáveis pela epidemia. O que poderá acontecer no final da semana.

"É a indicação que temos por parte das entidades que estão a fazer a investigação", adiantou Mário Nuno Duarte, adjunto do presidente da Câmara de Vila Franca de Xira. O mesmo disse ao DN José António Gomes, presidente da junta de freguesia de Vialonga. "Estamos a aguardar que os exames mais profundos que foram feitos estejam concluídos. A indicação que recebemos, sem compromisso, é que possivelmente até ao final da semana o responsável pelo surto será tornado público."

As famílias procuram agora ajuda para saber o que podem fazer em termos jurídicos junto da autarquia e das juntas de freguesia, que já se tinham disponibilizado para dar aconselhamento. "Até ao momento tivemos dez doentes ou familiares que nos contactaram a pedir apoio jurídico. Cerca de metade ainda está internada. Estamos a ficar com os contactos de todos para posteriormente - pensamos que para a semana - marcar uma reunião conjunta para dar esclarecimentos", explicou José António Gomes, presidente da junta de freguesia de Vialonga.

Por seu turno, na junta de freguesia vizinha da Póvoa de Santa Iria/ Forte da Casa foram feitos até ao momento 13 pedidos de apoio jurídico, dois deles de familiares de vítimas mortais. "Estamos, para já, a rececionar os pedidos que terão de obedecer a alguns critérios. Terá de ser provado que há uma relação direta com a doença da legionela. Para já, é muito cedo para falar porque ainda não existe um culpado provado", apontou o presidente Jorge Ribeiro à Lusa.

No terreno, desde que soou o alerta, têm estado equipas da Direção-Geral da Saúde e do Ministério do Ambiente. As análises estão a cargo do Instituto Nacional Ricardo Jorge e decorre no Ministério Público uma investigação por suspeita de crime que está em segredo de justiça.

Francisco George, diretor geral da Saúde, explicou que neste momento o que está a ser feito é o processo de demonstração de imputação causal. "Baseia-se na condução de análises especializadas que demonstrem sem margem de dúvida que a bactéria encontrada nos pulmões dos doentes é descendente da que se encontrou nas torres de refrigeração. É uma espécie de teste de ADN de paternidade. As análises já resultaram em prova."

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