Câmara de Lisboa vai desembargar obras de antigos restaurantes à beira-rio em Belém

Obras estavam embargadas devido ao incumprimento de projeto aprovado pela autarquia

A Câmara de Lisboa vai desembargar as obras de ampliação de dois antigos restaurantes localizados à beira-rio, em Belém, que estavam paradas devido ao incumprimento do projeto aprovado pela autarquia, divulgou hoje fonte do município.

Para isso, o promotor da empreitada vai fazer "muito rapidamente" um pedido de desembargo, que visa retomar as obras, disse à agência Lusa fonte do gabinete de imprensa da Câmara de Lisboa.

A mesma fonte precisou que "terão de ser demolidos os elementos que não estavam a cumprir o projeto", voltando, assim, à "situação que tinha sido aprovada".

No final de janeiro deste ano, o vereador do Urbanismo da autarquia, Manuel Salgado, informou que a Câmara de Lisboa embargou as obras de ampliação dos dois antigos restaurantes devido ao incumprimento do projeto.

"O projeto estabelece uma altura máxima de 10 metros e foi nessas condições que foi aprovado pela Câmara. Sucede que foi feita uma vistoria, por parte da autarquia, e constatou-se que um dos edifícios que devia respeitá-lo está com 10,4 metros e no outro a caixa do elevador também subiu em 1,10 metros" o limite permitido, estando com 11,10 metros, afirmou Manuel Salgado.

O autarca revelou na mesma ocasião que, "em face do incumprimento do projeto, a obra foi embargada".

Em julho de 2015, a autarquia (de maioria PS) aprovou dois pedidos de licenciamento feitos pela Domus Tagus - Turismo e Lazer, do grupo SANA, no final de fevereiro para ampliar os pavilhões onde funcionavam os restaurantes BBC e o Piazza di Mare, desativados há vários meses.

O objetivo é tornar o espaço onde funcionava o BBC num estabelecimento comercial destinado a eventos e o local do antigo Piazza di Mare num restaurante de luxo.

Previa-se, para isso, o aumento da área de exploração. Se, no primeiro caso, a superfície de pavimento passaria de 1.275,70 metros quadrados para 2.140,80 metros quadrados, no segundo espaço passaria de 629,20 metros quadrados para 1.352 metros quadrados.

A unir os terraços destes pavilhões pensou-se, inicialmente, numa passagem coberta em forma de golfinho. Porém, a ideia foi abandonada para uma ligação mais simples.

O projeto tem sido envolto em polémica, devido às críticas da oposição.

A Lusa já questionou, por diversas vezes, o grupo SANA, que tem as obras a cargo, mas não obteve resposta às questões urbanísticas.

Foi apenas indicado que "a estratégia de crescimento [do grupo] especificamente no mercado nacional passa, no curto prazo, pela área da restauração e dos eventos, facto que levou a empresa a adquirir recentemente o ex-BBC e Piazza di Mare".

Segundo a mesma entidade, "o anteriormente conhecido Piazza di Mare encontra-se neste momento em fase de remodelações a nível de arquitetura e de conceito".

Já o anterior BBC também vai reabrir este ano "com uma nova identidade", adiantou o grupo.

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