Burlão que enganou Fátima Lopes condenado a 5 anos e meio de prisão

Sexagenário que se fez passar por sem-abrigo no programa "A Tarde é Sua", da TVI, era acusado de vários crimes

O Tribunal de Aveiro condenou ontem a cinco anos e meio de prisão, em cúmulo jurídico, um homem de 64 anos que fazia da burla modo de vida.

O sexagenário, que dizia ser ourives, ficou conhecido ao fazer-se passar por sem abrigo no programa da TVI "A tarde é sua", apresentado por Fátima Lopes. O caso deu-se há três anos, quando o homem relatou em estúdio a vida trágica que tinha. No final da emissão, a TVI foi alertada por vários espetadores para o facto de a história ser falsa, tendo, segundo notícias publicadas na época, feito queixa do burlão.

Neste processo, o arguido era acusado de ter utilizado vários cheques furtados para comprar, de forma ilícita, eletrodomésticos e um automóvel.

O burlão foi ainda apanhado três vezes a conduzir um automóvel sem ter carta de condução, sendo que numa das situações a viatura tinha matrículas falsas.

O coletivo de juízes deu como provado todos os factos da acusação, condenando o arguido por nove crimes de burla qualificada, falsificação de documento, uso de documento de identificação e condução sem habilitação legal.

Em cúmulo jurídico, foi-lhe aplicada uma pena única de cinco anos e meio de prisão.

O sexagenário falou apenas na fase final do julgamento para admitir, no essencial, os factos que constavam da acusação.

"O que eu fiz, assumo tudo. Estou muito arrependido e peço perdão ao tribunal e às pessoas", disse.

Durante a leitura do acórdão, o juiz presidente Raul Cordeiro fez referência ao "vastíssimo rol de condenações criminais do arguido, essencialmente por burlas e falsificações.

"A primeira condenação remonta a 1980. A partir da década de 90, foram muitos os crimes de burla que cometeu. Fazia da burla modo de vida", disse o magistrado.

O juiz dirigiu-se ao arguido, que assistiu à leitura do acórdão por videoconferência, dizendo que "deverá refletir sobre o seu percurso de vida e procurar afastar-se da prática deste tipo de crimes".

O arguido, que espera ainda pelo desfecho de um outro caso que está a ser julgado no Tribunal de Coimbra, encontra-se detido desde 2014, à ordem de outros processos.

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