Bombeiros sem planos de contingência contra gripe A

Representantes do sector alertam que estes elementos estão mais expostos ao risco de contraírem o vírus e o disseminarem entre os colegas e pessoas que vão socorrer. Exigem equipamentos de protecção individual e medidas especiais de prevenção.

"As corporações de bombeiros não têm um plano interno com medidas a implementar para salvaguardar o surto de gripe A junto dos seus elementos e das populações que socorrem (ver gráfico). Só o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSBL) é que tem um plano de contingência específico", denunciou ao DN o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto.

O responsável alega que "os bombeiros são potenciais receptores e transmissores de gripe A, porque fazem transporte de doentes que, por vezes, nem sequer sabem estar infectados com o vírus".

Com o disparar do número de casos da doença em Portugal, que já ultrapassou a centena, a ANBP tem sido contactada por bombeiros que pedem informações sobre a forma de evitar o contágio. "Nem sabem o que fazer, porque não há planos internos organizados no quartel sobre os procedimentos e os cuidados especiais que se deve ter no caso de algum elemento ser infectado pelo vírus da gripe A. Só têm a informação dada à população em geral", conta.

Os cerca de mil homens do regimento de Sapadores de Lisboa são os únicos que têm plano. O documento "prevê a substituição de pessoal que presta socorro, a preparação de viaturas, equipamento de protecção e de limpeza. O RSBL tem informado todo o pessoal para que se previna e saiba o que fazer num caso de contaminação de um elemento que pode alastrar ao grupo".

Fernando Curto defende que estas medidas deveriam ser alargadas a todas as outras corporações.

Traçando um quadro mais negro, o presidente da ANBP coloca várias questões: "Se um número considerável de bombeiros ficar infectado e de quarentena, os quartéis ficam inoperacionais? Quem substituirá esses bombeiros para prestar socorro?" Lembra que numa situação dessas, "é preciso haver um plano que permita mobilizar bombeiros de uns quartéis para outros". O responsável diz que é necessário que todos os planos que envolvam os bombeiros estejam preparados e testados o mais rápido possível, porque "o vírus da gripe A tem mais resistência em climas frios, que chegam já daqui a dois ou três meses".

Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), confirma ao DN que "a maioria das corporações ainda não adquiriu equipamentos de protecção (máscara, luvas, batas, vestuário e calçado específico)".

A LBP "elaborou um plano de contingência que vai ser difundido ainda esta semana por todas as corporações. O plano refere-se às medidas de protecção individual e de higiene das instalações e dá orientações técnicas. Queremos pôr os responsáveis a pensar no seu pessoal e a defendê-lo", diz.

Fonte oficial da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), que tutela o sector, garantiu ao DN já ter o seu próprio plano de contingência interno, que vai divulgar pelos corpos de bombeiros. Afirma que as corporações "têm vindo a adoptar medidas de prevenção e protecção individual" e "algumas estão já a elaborar os seus planos internos". A ANPC difundiu a 29 de Abril os primeiros conteúdos de informação sobre o H1N1 a todos os corpos de bombeiros. "Até ao fim da semana será emitida nova nota informativa a todas as corporações, reforçando esse esforço de sensibilização e formação", diz.

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