Blocos parados e consultas por fazer. Sindicato fala em mais de 80% de adesão à greve

Médicos estão em greve esta quarta e quinta-feira. Sindicatos apontam para números elevados de adesão

Jorge Roque da Cunha, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), foi o primeiro a fazer o balanço da greve dos médicos, marcada para os dias 10 e 11 de maio, e fala numa adesão superior a 80% a nível nacional, reportando-se a números das oito da manhã desta quarta-feira.

Houve hospitais onde os blocos operatórios ficaram fechados, como foi o caso do hospital de Matosinhos. No Hospital Garcia de Orta, apenas um bloco ficou aberto, tal como no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Em Faro, dos sete blocos operatórios, apenas um estava a ser usado para realização de cirurgia oncológica. Em Vila Real, também apenas um bloco operatório esteve aberto.

No litoral alentejano, a adesão à greve dos médicos foi de 100%.

Já no que diz respeito ao impacto nas consultas externas, Roque da Cunha indica que cerca de 80% não se realizaram.

"Esta greve é um sinal de grande união na classe, com dois sindicatos e a Ordem dos Médicos em conjunto. Queremos que o Ministério da Saúde negoceie de forma séria com os médicos e que o ministro Adalberto Campos Fernandes esteja presente nas reuniões. Durante um ano, os sindicatos estiveram de boa fé a negociar; há um mês, identificámos cinco questões fundamentais que não tiveram resposta".

As questões são, segundo o secretário-geral do SIM, a redução das horas extra - cujo número anual para médicos é de 200, sendo pedida a redução para 150, como na restante função pública - as carreiras médicas, os concursos para progressão, a redução da lista de utentes dos médicos de família e a passagem das 18 horas de urgência semanais para as 12.

Roque da Cunha frisou ainda que os médicos "estão do lado dos doentes" e que estão disponíveis para negociar a partir das nove da manhã de sexta-feira. O responsável sublinhou ainda que as propostas que os médicos fizeram ao governo eram para a legislatura e não "para ontem", pelo que não havia sequer pressão para que eventuais medidas fossem implementadas no curto prazo.

O secretário-geral do SIM lembrou ainda que este ano foi aquele em que mais se gastou com as empresas prestadores de serviços, o que não teria acontecido se as condições dos médicos fossem revistas: uma redução das horas de urgência também não implicaria mais gastos, já que daria aos médicos mais tempo para que fizessem mais consultas e cirurgias programadas.

Ontem, delegações do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) entregaram na residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, uma carta em que apelavam à sua intervenção política.

Com Bárbara Cruz

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