Humor para celebrar a igualdade, explica o BE. "Um erro", diz Marisa Matias

Igreja e CDS criticam BE. Marisa Matias, dirigente de topo do partido, fala num "erro". Bloco diz que foi apenas "humor"

A eurodeputada bloquista Marisa Matias considerou esta sexta-feira que "foi um erro" o polémico cartaz do seu partido assinalando a legalização da adoção gay.

Respondendo a uma pergunta na sua página Facebook, a ex-candidata presidencial do Bloco assumiu: "Acho que saiu ao lado da intenção que se pretendia. Que foi um erro."

Até agora, Marisa Matias é a primeira dirigente de topo no BE a distanciar-se da controversa produção gráfica do partido, onde surge uma imagem estilizada de Cristo com a palavra de ordem "Jesus também tinha dois pais".

O cartaz já foi criticado inclusivamente por ativististas de primeira linha nas causas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais).

Bloco justifica cartaz: é apenas humor para celebrar a igualdade

O Bloco de Esquerda (BE) já veio justificar o polémico cartaz com uma alusão a Jesus Cristo e a frase "Jesus também tinha 2 pais" dizendo que, em primeiro lugar, "não se trata de um cartaz, mas da forma de, nas redes sociais, com recurso ao humor, chamar a atenção para a conquista da igualdade entre todas as famílias".

Num comunicado enviado esta sexta-feira à comunicação social, os bloquistas sublinham que "a frase não é da autoria do Bloco", explicando que se trata de "um velho slogan do movimento internacional pela igualdade de direitos".

O partido liderado por Catarina Martins frisa que afixou um cartaz - esse, sim, assumido como tal - na quinta-feira no Campo Pequeno com o intuito de assinalar "uma mudança importante", isto é, a "promulgação da lei que elimina a discriminação no direito a adotar". "Essa mudança é um avanço na luta pelo respeito por todas as famílias, independentemente da orientação sexual de quem as compõe. Esse é o único cartaz que o Bloco imprimiu e que afixará publicamente", pode ler-se também no comunicado.

A rematar a breve nota, o BE afasta qualquer intuito de afrontar a Igreja Católica ou os crentes, ciente de que as reações (sobretudo nas redes sociais) estão a ser muito duras. "O Bloco de Esquerda respeita todas as convicções religiosas. Com estas iniciativa, pretendeu contribuir, como sempre fez, para, sem tabus, provocar o debate e, neste contexto, assinalar mais um avanço no respeito pela dignidade das pessoas e por todas as famílias. Estamos certos de encontrar, entre crentes e não crentes, uma grande maioria que partilha connosco esta motivação."

Igreja critica cartaz do BE: "É uma afronta aos crentes"

O porta-voz da Conferência Episcopal, Manuel Barbosa, considerou esta sexta-feira "uma afronta aos crentes" o uso de uma imagem de Jesus Cristo numa campanha do Bloco de Esquerda em defesa da adoção por casais homossexuais.

Manuel Barbosa diz que o cartaz "afronta os crentes que seguem Jesus Cristo e os que são da igreja, naturalmente".

"Deve haver respeito pela liberdade de expressão. Sabemos que esse respeito deve ser sempre um respeito mútuo. A liberdade implica sempre relação e corresponsabilidade e, este respeito mútuo, não sei se estará presente no anúncio deste cartaz", sublinhou.

No entender do porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o cartaz do BE é "uma analogia sem sentido".

"Essa dos pais espirituais é abusiva. Penso que há um certo aproveitamento, num período em que na igreja se está a viver um tempo forte de Quaresma, depois a Páscoa e o Ano da Misericórdia. Não sei se é coincidência ou se é propositado", argumentou.

Manuel Barbosa disse que o cartaz "vale o que vale", realçando que "há coisas mais importantes".

"É de lamentar que não se tenha em atenção as convicções de quem segue Jesus Cristo, mesmo que este cartaz já tenha sido feito noutros países. É uma cópia de muito mau gosto", sustentou.

CDS-PP lamenta "ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses"

CDS-PP lamentou esta sexta-feira o cartaz do Bloco de Esquerda (BE) em defesa da adoção por casais homossexuais que, com a imagem de Jesus Cristo, representa na ótica dos centristas "uma ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses".

"Este cartaz é uma ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses, crentes ou não crentes. Em política, como na vida, podemos discordar das ideias dos outros, mas não devemos ofender os sentimentos dos outros", vincou o parlamentar centrista Pedro Mota Soares, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG