Bloco diz que novo imposto é um "assalto social"

O Bloco de Esquerda considerou hoje que o Programa do Governo já se encontra fora do prazo 48 horas depois de ter sido apresentado e considerou o projectado corte no subsídio de Natal "um assalto social".

As posições do Bloco de Esquerda foram assumidas pela sua deputada e dirigente Cecília Honório no primeiro dia de debate do Programa do XIX Governo Constitucional.

Na sua intervenção, Cecília Honório afirmou que o compromisso do Governo com o seu programa durou apenas 48 horas.

"Depois de ter passado o último ano a culpar a despesa pública de todos os males que afligem o país, prometendo acabar com a injustiça social na repartição dos sacrifícios, o Governo chegou hoje aqui e explicou o que é que entende por gorduras do Estado: É o subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas que recebem 500, 700 ou mil euros", disse.

Segundo a dirigente do Bloco de Esquerda, a medida hoje anunciada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em relação ao subsídio de Natal, representa "um corte cego, injusto socialmente e que vai mais longe do que alguma vez foi o Fundo Monetário Internacional".

"Mas o dia de hoje é marcado por outro acontecimento. Os mesmos deputados e partidos que, aqui mesmo [no Parlamento], aplaudiram de pé o Presidente da República [Cavaco Silva] quando este disse que 'é fundamental que os portugueses sintam que há justiça na distribuição dos sacrifícios', são os mesmos que agora defendem um verdadeiro assalto social ao bolso dos cidadãos", apontou Cecília Honório.

Cecília Honório insurgiu-se também contra o programa de privatizações do aCtual Governo, dizendo que se trata de "vender a preço de saldo tudo o que dá lucro e dividendos para os cofres públicos".

Depois de apontar como exemplos os casos da REN e CTT, entrou outros, a dirigente bloquista considerou que os portugueses não estão perante um verdadeiro Governo.

"É uma comissão liquidatária com uma missão: Garantir que, dos escombros do que é o serviço público, alguém, terá o seu quinhão. Os mesmos de sempre, como sabemos", disse.

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