Bispos dizem que é qualidade dos católicos que interessa

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão, disse hoje que a perda de católicos "é um desafio para a Igreja", mas sublinhou que o que é essencial é a qualidade e não a quantidade.

Salientando, contudo, que "a quantidade não é fundamental" e que "o aspeto mais importante é a qualidade".

O porta-voz da CEP, cuja Assembleia Plenária decorre até quinta-feira em Fátima, explicou que, hoje, "quem é católico é porque o quer" e "não por pressões familiares e socio-políticas", ligando essa realidade "a um clima de maior liberdade para que cada um possa tomar as suas opções".

Manuel Morujão sustenta que a Igreja Católica Portuguesa "considera os resultados como um desafio que lhe é feito" e que um dos caminhos passa por "ir ter com os jovens que nos desafiam e levar-lhes os valores de fé, sempre com uma mensagem renovada".

O mesmo estudo, conduzido pelo Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa, conclui que há cada vez mais protestantes/evangélicos e Testemunhas de Jeová.

A maioria das Testemunhas de Jeová, protestantes e não crentes vivem na zona de Lisboa e Vale do Tejo, ao contrário do norte do país, que continua a ser mais católico, pode ler-se no documento hoje apresentado em Fátima.

O estudo, que pretende perceber como é que os portugueses se situam perante o fenómeno religioso, revela que, nos últimos onze anos, os católicos diminuíram 7,4 por cento (%), passando de 86,9% da população para 79,5%.

Ao contrário da tendência de diminuição de católicos, duplicou a percentagem de pessoas com uma religião diferente da católica (2,7% em 1999 para 5,7%), assim como cresceu o número de pessoas sem qualquer religião (de 8,2% para 14;2%), um aumento que se sentiu em todas as categorias: os indiferentes passaram de 1,7 para 3,2; os agnósticos de 1,7 para 2,2 e os ateus de 2,7% para 4,1%.

O coordenador do estudo da Universidade Católica, Alfredo Teixeira, destaca "o fenómeno de pluralidade na sociedade portuguesa" e sustenta que "há claramente um problema urbano", já que "as outras confissões religiosas crescem em ambiente urbano".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG