Bispo do Porto preocupado com "momento difícil" do país

O bispo do Porto, Manuel Clemente, demonstrou hoje especial preocupação com "o momento difícil" que o país atravessa, destacando as dificuldades dos desempregados e de todos os portugueses que já não sabem como pagar as suas despesas.

"Não nos podem ser alheias as dificuldades dos outros, em especial dos que não têm trabalho, nem perspetivas de o obter proximamente; dos que não conseguem manter as suas empresas, por falta de financiamento, aumento das prestações ou baixa de clientes; dos que já não sabem bem porque é que hão de estudar, ou pagar os estudos dos filhos; dos que temem não ter na velhice a segurança com que justamente contavam", afirma Manuel Clemente, numa carta escrita em Roma e dirigida aos diocesanos do Porto, hoje publicada na página da internet da Diocese.

Compreendendo "que muitos expressem publicamente o mal-estar que sentem e sofrem", o bispo alerta, contudo, para a necessidade de "governantes escolhidos e cidadãos responsáveis" preservarem e honrarem as "presentes instituições democráticas".

"Não esqueço que uma sociedade democrática vive necessariamente de órgãos que representam e ativam as finalidades comuns, como a nossa Constituição estabelece. Só assim sobrevive um Estado de Direito", sublinha Manuel Clemente, que participa em Roma no Sínodo dos Bispos, que decorrerá até ao dia 28.

O bispo do Porto afirma ainda querer "crer que a atual crise ocasionará um crescimento comunitário mais coerente no que à economia, às finanças e à solidariedade europeia diz respeito".

Para Manuel Clemente, "alguns sinais recentes vão nesse sentido e alimentam a esperança".

"Na interdependência geral em que vivemos, o que se requer em Lisboa, pode requerer-se também -- e não sei se sobretudo -- em Bruxelas, Berlim, Paris... Aliás, o projeto europeu dos anos quarenta e cinco ficou com várias alíneas por cumprir, que talvez possam retomar-se agora", considera.

O bispo do Porto salienta ainda que, no atual momento português, a Igreja está "onde os concidadãos também se encontram, na vida pessoal e social, em cidadania plena e corresponsabilidade comum".

"Com uma inspiração evangélica que precisa de ser cada vez mais assimilada e concretizada, queremos estar onde devemos estar, ou seja, na primeira linha da promoção do bem comum", conclui.

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