Bispo do Porto pede prioridade para os mais frágeis

O bispo do Porto reclama o reforço da solidariedade, numa altura de sacrifícios e de "encurtamento de expetativas", e pede que o problema dos "mais frágeis" fique na primeira linha das preocupações estatais.

"A par dos sacrifícios que teremos que fazer e do encurtamento das expetativas pelo menos durante algum tempo, tem de haver uma grande presença da solidariedade", declara Manuel Clemente no momento em que completa cinco anos como responsável pela Diocese do Porto.

"As duas coisas têm que andar a par", insiste o prelado, em entrevista à agência Lusa.

Reconhecendo que a situação do país "é muito complicada", o também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa destaca, no entanto, que "a primeira obrigação do Estado, como promotor do bem comum, é atender aos problemas dos mais frágeis, dos mais pobres".

Para o prelado, essa preocupação deve ser de curto prazo, "ao encontro de situações que precisam de ser imediatamente resolvidas", mas também de médio prazo, "no sentido de criar as condições para que essas necessidades sejam satisfeitas de uma forma sustentada".

Questionado sobre leis ditas fraturantes, como a da interrupção voluntária da gravidez (IVG) e o casamento de pessoas do mesmo sexo, Manuel Clemente diz que, "independentemente do aspeto confessional", essas matérias devem "devem-se manter no debate" e "depois tirar daí consequências legais, quando for caso disso".

No caso específico da IVG, o

Bispo

"É uma pedagogia democrática fundamental", considera.

"Se fica tudo à espera que algum órgão de topo ou algum órgão central faça imediatamente as coisas, as pessoas desmotivam-se", observa, acrescentando que se deve incentivar todos os outros corpos intermédios da sociedade "a fazerem aquilo que eles podem fazer por si".

Numa alusão à supressão de feriados, o

"Ainda bem que não sou eu a decidir, porque teria dificuldade em escolher entre qualquer um deles", admite, numa referência expressa aos vários feriados religiosos que, cada qual a seu modo, mexem com a "sensibilidade" do povo português.

Os cinco anos de Manuel Clemente como

Um dos textos da nova edição é dedicado ao primeiro Presidente da República portuguesa, Manuel de Arriaga, "que sempre manifestou maior abertura em relação à Igreja Católica no país do que o Dr. Afonso Costa", do Partido Democrático.

Manuel Clemente defende, de resto, que não existiu um problema entre a Igreja e a primeira República, mas apenas entre a Igreja e a "fação mais rígida" do grupo de Afonso Costa.

Na perspetiva do prelado, o quadro tem algumas semelhanças com os laicistas da atualidade, "que entendem que a convicção religiosa não deve ter expressão pública, nem institucional, nem cultural".

"Contra isso, a Igreja reage", diz o

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