Bispo do Porto: Era inevitável fechar Oficinas de S. José

O atual bispo do Porto, que exerce a função há precisamente cinco anos, diz que outra solução não restava senão fechar as Oficinas de S. José, a instituição católica para acolhimento de menores que o caso Gisberta mediatizou.

"Havia um desajustamento em relação àquilo que se procurava" inicialmente, o acolhimento de órfãos, e aquilo que ultimamente se lhe pedia, a institucionalização de menores problemáticos, "e achei que não havia condições" para isso, explica Manuel Clemente.

Nesse sentido, "e de acordo com a Segurança Social, optámos pelo encerramento", sublinha o prelado, depois de explicar que se goraram projetos acordados com o Estado para transformar a instituição num polo de formação profissional.

Alguns internos das Oficinas de S. José foram condenados nos tribunais convencionais e de menores por se envolverem em 2006 em sevícias ao transsexual brasileiro Gisberto Santos Júnior, que se viriam a revelar fatais.

Outros rapazes que estiveram acolhidos na instituição surgem agora como alegadas vítimas num caso de abusos sexuais a julgar ainda este mês nas Varas Criminais do Porto.

Em entrevista à agência Lusa, concedida numa altura em que completa cinco anos na liderança da Diocese do Porto, Manuel Clemente refere-se também à resposta que que rede social da Igreja está a dar e explica que, para já, a resposta tem correspondido às solicitações.

"O pedido é cada vez maior e tem-se procurado corresponder", afirma o

Manuel José Macário do Nascimento Clemente, de 63 anos, foi empossado

Do atual

Já 'inquilino' do Paço Episcopal do Porto, Manuel Clemente foi distinguido com o Prémio Pessoa 2009 e, no plano eclesiástico, movimentou-se com sucesso para conseguir que o roteiro da visita a Portugal do Papa Bento XVI incluísse a cidade do Porto.

Do Prémio Pessoa, diz que o recebeu com "total surpresa", e relaciona-o com o facto de se posicionar como "o elo de uma longa tradição católica na sociedade portuguesa" que "vale sobretudo como capacidade para estar presente e dar a sua perspetiva e a sua opinião".

Quanto à deslocação papal ao Porto, "não foi propriamente uma surpresa, porque fui eu que a pedi", afirma, considerando que a visita permitiu desfazer a imagem que localmente se tinha de Bento XVI.

"Imaginavam-no um intelectual, um homem lá da doutrina e eventualmente da Cúria Romana. Repararam que, afinal de contas, se tratava de um senhor próximo, afável, sorridente, expressando-se com muita clareza acerca das mais diversas questões", constata.

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