Bispo diz que políticos deviam digladiar-se menos

O bispo do Porto considerou hoje que a ação do poder político na gestão da crise económica podia ter sido "diferente", apoiando mais os necessitados, em vez de perder tempo a "digladiar-se" e em "contendas estéreis".

"Quando o bem e a dignidade das pessoas está em causa não podemos perder tempo com discussões estéreis e inúteis, mesmo que as causas e posições políticas sejam antagónicas", afirmou António Francisco dos Santos, em entrevista à agência Lusa.

O bispo frisou que o poder político desperdiça "muito" tempo a pensar naquilo que o separa e diferencia, não sabendo sentar-se à mesma mesa, ultrapassar as contendas e discutir os problemas da população.

"O país merece que nos sentemos, reflitamos e proponhamos todos juntos o bem para todos", disse António Francisco dos Santos, acrescentando que são necessárias pessoas que pensem em conjunto para decidir o futuro de todos, sobretudo dos que mais sofrem.

Em situação de crise económica, o bispo do Porto lamentou que o poder político perca mais tempo a "digladiar-se" do que a partilhar corresponsabilidades e a dar respostas comuns a causas comuns.

António Francisco dos Santos realçou que é positivo e benéfico haver ideologias políticas diferentes, mas é "essencial" haver "unidade e comunhão" nas decisões do país.

"Penso que ainda há muito a fazer", considerou.

O bispo do Porto realçou que a Igreja Católica tem, nesta situação, uma missão de denúncia e de pedagogia.

"O nosso modo de trabalhar, seja com o Estado, autarquias, instituições ou comunidades, devia servir de exemplo aos políticos", defendeu.

A Igreja Católica não quer impor-se, mas servir de exemplo no exercício da corresponsabilidade, ressalvou.

"Talvez os partidos políticos pudessem aprender com esta lição de pedagogia", salientou o responsável pela diocese do Porto.

António Francisco dos Santos foi nomeado bispo do Porto pelo Papa Francisco em fevereiro deste ano, sucedendo no cargo a Manuel Clemente, que em 2013 assumiu funções como patriarca de Lisboa.

O novo responsável pela diocese nortenha, de 65 anos, era até então bispo de Aveiro.

Nascido na aldeia de Tendais, concelho de Cinfães, licenciou-se em Filosofia em 1977. Antes disso, em 1972, tinha sido ordenado sacerdote.

António Francisco dos Santos diplomou-se ainda em Sociologia Religiosa em Paris, onde, durante alguns anos, foi responsável pastoral por uma comunidade de emigrantes.

SYF/ACYS // JLG

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