Berardo diz que Governo não pode reavaliar a sua colecção

O empresário Joe Berardo reafirmou hoje que não recebeu o dinheiro do Estado e disse que o Governo "não pode" fazer nova "avaliação" da sua coleção de arte, o que a tutela admitiu pedir a "uma entidade externa".

No Canadá, o presidente da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo vincou à Lusa: "Eles não têm que avaliar, que aquilo não é deles. Aquilo, por enquanto, ainda é meu. Eles têm uma opção de compra em dez anos. (...) Eles não sabem. São pessoas que gostam de falar sem ler os seus direitos."

O que está no acordo assinado entre o Estado e a Fundação Berardo é que "só no fim dos dez anos" de contrato, o Governo pode, se quiser, "fazer uma nova valorização", explicou o empresário. "Mas agora? Eles nem têm dinheiro para pagar o que devem...", criticou, aconselhando: "Leiam o acordo", porque "o que estão a falar é burrice".

Joe Berardo destaca ainda que a questão da avaliação da sua coleção de arte "não tem nada a ver com o assunto" que o pôs em conflito com a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Centro Cultural de Belém (administrada pelo Estado).

O que está em causa, assinala, é "o que deviam ter pago este ano e não pagaram, apesar de o secretário de Estado ter dito que pagaram".

"Não chegou dinheiro nenhum à Fundação. Se eles pagaram, onde é que eles meteram o dinheiro, levaram para casa?", questiona, com gargalhadas de sarcasmo. "Lá à nossa conta não chegou. Devia ter ido parar à conta da Fundação CCB... para o saco azul", ironizou.

Joe Berardo reclama que o dinheiro devia ter chegado "até sexta-feira" e "o banco diz que não recebeu". O empresário referiu ainda que a verba "tem que vir diretamente do Governo para a Fundação Berardo".

"A não ser que eles se enganassem, tudo é possível, em vez de mandarem para a Coleção, mandassem para outro lado. São pessoas que não têm experiência de vida a dirigirem um país como o nosso, é uma pena", criticou.

Joe Berardo disse ainda que já pediu uma reunião ao primeiro-ministro, que, lembrou, tem a tutela da pasta da Cultura: "Só o primeiro-ministro é que tem de me receber e depois dizer ao secretário de Estado da Cultura o que quer fazer. Vai ter que assumir as responsabilidades."

O empresário regressa a Portugal na quinta-feira. "Quando chegar aí vou ver, não é agora. Estou fora do país, o que é que eu posso fazer agora?".

A Secretaria de Estado da Cultura confirmou hoje à Lusa que está "a ponderar" pedir nova avaliação da Coleção Berardo a "uma entidade externa independente" (ver notícias relacionadas).

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