Bastonário denuncia "negócio milionário" da Saúde 24

José Manuel Silva compara o que o Estado paga à empresa que gere o serviço e aquilo que paga aos profissionais nos centros de saúde e urgências

O bastonário da Ordem dos Médicos defende hoje que o "negócio da Linha Saúde 24 é um escândalo e um imenso desperdício". José Manuel Silva escreveu no Facebook um texto em que compara o que o Estado paga à empresa que gere o serviço e aquilo que paga aos profissionais nos centros de saúde e urgências.

"Por cada 'chamada resolvida' na Linha Saúde 24, em que um telefone atende o contactante com base num rígido e singelo algoritmo, o Estado paga 16 euros à empresa que explora este milionário negócio (um valor imenso, mesmo considerando os custos fixos da empresa)", começa o bastonário da Ordem dos Médicos, na véspera das eleições que escolherão o seu substituto.

"Quando marcam doentes em atendimento complementar nos períodos de gripe, as administrações marcam-nos de 10/10 minutos, o que significa que cada consulta médica vale 2,5 euros brutos (1,25 euros líquidos). Ou seja, uma avaliação e verdadeira resolução do problema dos doentes, com imensa responsabilidade, vale, para o Estado, 2,5 euros, enquanto um telefonema vale 16 euros!!!", denuncia José Manuel Silva, que pergunta "porque não paga o Ministério da Saúde metade destes 16 euros por cada telefonema feito para os Centros de Saúde, onde o utente é atendido pelo seu enfermeiro e/ou médico de família e o seu problema efetivamente resolvido?". Para o bastonário, essa "seria uma forma de financiar o SNS em vez de alimentar um negócio telefónico privado".

"Comparando com o valor/hora de um enfermeiro, o custo de cada telefonema (que pouco ou nada resolve...) é uma vergonha. Para o protocolo da Linha Saúde 24h dizer a um doente para ir à urgência, cobra 12 euros por telefonema, ao médico Interno que observa e trata o doente na urgência, assumindo uma enorme responsabilidade no diagnóstico e na prescrição, o Ministério da Saúde paga 5 euros líquidos/hora...", continua.

Em entrevista publicada hoje no Jornal de Notícias, o bastonário já defendera que a Linha Saúde 24 "é uma caixa registadora" e que o ganhos em saúde são "zero".

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