Barcos a circular no Tejo supreendem empresa e utentes

As ligações fluviais no rio Tejo não pararam por completo em dia de Greve Geral, algo que surpreendeu desde a empresa aos utentes, devido ao histórico de adesão às greves dos trabalhadores do Grupo Transtejo.

As ligações do Barreiro, Montijo, Cacilhas e Seixal para Lisboa têm, pelo menos até à hora de almoço, um barco a circular, o que o sindicato defende ser "uma situação menos boa" face ao que é norma na empresa.

"Não existe deceção mas à que reconhecer que é uma situação menos boa, mas que não nos vai desmotivar. Temos que compreender que as pessoas vivem um quadro difícil, mas ainda assim a esmagadora maioria dos trabalhadores está em greve", disse à Lusa José Augusto da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS).

A "guerra" de números entre os sindicatos e o grupo Transtejo é normal em todas as paralisações, mas tem havido unanimidade numa aspeto, que as ligações ficam totalmente paradas, com foi o caso da última Greve Geral.

Os sindicatos costumam avançar com os 100 por cento de adesão, baseando-se no facto das ligações pararem por completo, enquanto o Grupo Transtejo aponta números mais baixos, justificando que basta faltar uma das pessoas da tripulação para que a ligação não se realize, mas a situação no dia de hoje é diferente do normal.

"Está um barco a funcionar nas ligação do Barreiro, Montijo, Seixal e Cacilhas. A adesão em Cacilhas é de 67 por cento, no Seixal de 95 por cento e no Montijo estão as duas tripulações a trabalhar. No Barreiro está um dos cinco barcos a trabalhar", disse o sindicalista.

José Augusto referiu que a empresa deslocou uma das tripulações do Montijo para o Seixal, o que permite que esta ligação também funcione mas lembrou que existe uma greve em todo o Grupo Transtejo, marcada para o dia 28 de março, que se vai realizar.

"Os trabalhadores vivem situações difíceis. Existem casos que não aderiram por uma questão de opinião, mas também temos muitas situações de trabalhadores que são forçados a não aderir pelas suas dificuldades, pois não podem perder mais um dia de trabalho", salientou.

O Grupo Transtejo tinha divulgado que todas as ligações deviam parar no dia de hoje, com os efeitos a começarem a sentir-se ainda na noite da véspera, o que levou a que poucas pessoas procurassem as estações fluviais.

"Têm sido poucas as pessoas transportadas porque se pensava que os barcos iam parar. No entanto, a procura tem vindo a aumentar gradualmente desde que se anunciou que havia barcos a trabalhar", disse à Lusa fonte oficial da empresa.

O sindicalista José Augusto afirmou que é possível "contar as pessoas" que se deslocam às estações fluviais.

"Tem sido um número residual de procura, em que é possível contar. São cinco ou seis pessoas a ser transportadas nos barcos, até porque muitos dos utentes também aderiram à greve", disse.

Depois da hora de almoço, com a troca de turnos, a situação vai ser de novo avaliada.

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