Autocarro anterior a 2007 e com alguns cintos

O organizador da excursão cujo autocarro, fretado a uma empresa espanhola, se despistou no IC-8, no domingo, disse hoje que a viatura tinha matrícula anterior a 2007 e que possuía cintos de segurança em alguns bancos.

"O autocarro, cintos tem", mas "há bancos que têm e há outros que não", revelou hoje à agência Lusa Luís Barbas, de 42 anos, que também foi um dos feridos no acidente, assim como a sua filha, de 10 anos, ambos já a recuperarem em casa depois de terem tido alta do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, ainda no domingo à noite.

O autocarro com matrícula espanhola despistou-se, ao início da manhã de domingo, no IC-8, no nó do Carvalhal, concelho da Sertã, e provocou 11 mortos e um número elevado de feridos, alguns dos quais em estado grave.

A viatura, transportando um grupo de 44 pessoas, quatro delas crianças, partira de Portalegre em direção a São Paio de Oleiros (Santa Maria da Feira), para uma visita a uma exposição denominada "O maior presépio do mundo".

Das 11 pessoas que morreram, dez eram do concelho de Portalegre e a outra da freguesia de Assumar, do vizinho concelho de Monforte.

Contactada hoje pela Lusa, a administradora da empresa proprietária do autocarro, Célia Rabazo, assegurou que o veículo estava em condições, mas disse desconhecer a data da respetiva matrícula.

"Estava tudo bem, tudo seguro", afirmou administradora da empresa Rabazo Autocares, de Badajoz, explicando que, em Espanha, só os veículos de longo curso posteriores a 2007 são obrigados a ter cintos de segurança em todos os lugares, enquanto em Portugal tal imposição vigora desde 1999.

O organizador da excursão, que disse promover há já "nove anos" este tipo de viagens, não só em Portugal, mas inclusive a Espanha e França, também deu hoje a garantia à Lusa que o autocarro era anterior a 2007.

O veículo, admitiu, embora sem conseguir precisar a data da matrícula, deve ser de 2002, 2003 ou 2004".

Este "mesmo autocarro também já tinha saído algumas vezes connosco" [realizado outras excursões por si organizadas], conduzido pelo "mesmo motorista" oriundo da zona de Portalegre e, até agora, "tudo" tinha decorrido de forma "impecável", sublinhou.

Segundo Luís Barbas, neste autocarro espanhol existiam cintos de segurança para os passageiros "nos bancos da frente" e naqueles situados "frente à porta", sendo que havia excursionistas com eles colocados.

"Levavam, sim senhora, mas também há pessoas mal à mesma", disse, em relação aos passageiros que tinham o cinto de segurança posto, no momento do acidente.

A título de exemplo, Luís Barbas indicou o caso de uma prima sua, a qual, "mesmo com o cinto, também está com costelas partidas" e "ainda internada em Castelo Branco".

A questão dos cintos de segurança, nuns "casos pode ser melhor, noutros podia ser ainda pior", disse.

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