Arguido diz não ter pedido a Figo para apoiar Sócrates

O arguido do processo Taguspark, Rui Pedro Soares, disse hoje nunca ter pedido a Luís Figo para apoiar a candidatura de José Sócrates às legislativas e que espera ser absolvido do crime de corrupção passiva para ato ilícito.

"Nunca tive essa conversa com Luís Figo. Nunca esteve presente no meu espírito", disse Rui Pedro Soares aos jornalistas à saída do tribunal de Oeiras.

Rui Pedro Soares, ex-administrador não executivo do polo tecnológico de Oeiras, Américo Tomatti, à data dos factos presidente da comissão executiva do Taguspark, e João Carlos Silva, antigo administrador do polo, estão acusados de corrupção passiva para ato ilícito e começaram hoje a ser julgados.

Em causa estão alegadas contrapartidas que a Taguspark terá dado, por intermédio do ex-administrador Rui Pedro Soares, ao ex-futebolista Luís Figo para este apoiar a campanha de José Sócrates a primeiro-ministro nas legislativas de setembro de 2009.

Rui Pedro Soares adiantou aos jornalistas que espera ser absolvido e que está satisfeito por, ao fim de três anos, poder estar em tribunal onde hoje respondeu "a todas as perguntas" colocadas quer pelo coletivo de juízes quer pelo procurador do Ministério Público.

A sessão da tarde foi maioritariamente dedicada à audição de outro arguido, Joao Carlos Silva, que afirmou considerar que, ao ter aceitado o cargo no Taguspark, estaria a desempenhar funções numa empresa privada e não numa de maioria de capitais públicos.

Este arguido explicou aos juízes que o Taguspark estava a desenvolver um plano de promoção internacional quando o polo tecnológico convidou Luís Figo e José Mourinho para participarem numa ação publicitária.

Adiantou que as duas figuras ligadas ao futebol aceitaram participar nesta campanha a troco de 250 mil euros por cada um dos três anos de contrato.

Joao Carlos Silva disse ao coletivo de juízes que a mediatização deste processo, iniciado com buscas policiais, pôs em causa o plano de promoção do polo tecnológico que tinha como objetivo arrendar os cerca de cinco mil metros quadrados de espaços disponíveis no polo a empresas, que se traduziria no aumento de 900 mil euros de receitas.

De acordo com a acusação, o Ministério Público considera que Rui Pedro Soares "pôs em execução uma estratégia para obter o apoio à candidatura do PS" através do contrato de cedência de direitos de imagem do ex-futebolista ao Taguspark, no valor de 750 mil euros.

"A formalização destes negócios era, nos termos genericamente acordados entre Rui Pedro Soares e Luís Figo (...) determinante da concretização do apoio deste ultimo à referida campanha político-partidária", refere a acusação.

Na sessão de hoje, a presidente do coletivo de juízes adiou para o fim do julgamento a resposta a um requerimento apresentado pela defesa de Américo Thomati para despronúncia dos arguidos do processo por considerar que a sociedade Taguspark é uma sociedade de capitais mistos e não maioritariamente de capitais públicos.

A presidente do coletivo de juízes justificou que esta questão só pode ser apreciada depois de produção de prova em julgamento.

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