Alunos portugueses melhoram, mas ainda estão entre os que mais reprovam

Desempenho dos portugueses melhorou a Leitura, Matemática e Ciências. Mas 13% dos jovens com 15 anos têm dificuldades nas três áreas

Portugal é um dos nove países que conseguiram reduzir o baixo rendimento a Matemática entre 2003 e 2012. Mas apesar das melhorias, está entre os países com maior percentagem de alunos repetentes no grupo dos 64 que participaram num estudo da OCDE. Na Matemática, a percentagem de alunos de 15 anos com baixo rendimento ainda é de quase 25%. Capazes de comprometer o futuro da sociedade, os maus resultados estão relacionados com vários fatores, diz a OCDE, entre os quais a situação socioeconómica das famílias.

A percentagem de alunos com baixo rendimento a Matemática diminui 5,2%, situando-se em 2012 nos 24,9%, de acordo com o Programme for International Student Assessment (PISA). Mas esta melhoria deve ser analisada com cautela, ressalva o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. "A melhoria é relativamente grande quando se parte de uma posição muito baixa, como era o caso", diz Fernando Pestana da Costa. Muita coisa se alterou desde 2003 - "programas de apoio à diminuição do insucesso escolar, melhorias na formação de professores, etc." -, mas a situação "está longe de ser boa."

Os resultados não melhoraram só a Matemática: entre os 127 537 alunos portugueses de 15 anos, 18,8% manifestaram fraco desempenho a Leitura (menos 3,1% do que em 2003) e 18,9% a Ciências (menos 5,5% do que em 2003). E quase 13% mostraram dificuldades nas três áreas em simultâneo. Tal como Portugal, países como Brasil, Alemanha, Itália, México e Polónia também conseguiram melhorar o desempenho a Matemática. "O que têm em comum?", questiona a OCDE. Muito pouco, avança, mas implementaram as políticas certas.

Cerca de 34% dos alunos que participaram no estudo da OCDE já tinham reprovado pelo menos uma vez, o que coloca Portugal em oitavo lugar na lista dos países com mais repetentes. No relatório divulgado ontem, a organização traça um perfil daquele que será o aluno com maior probabilidade de ter pior desempenho: uma menina desfavorecida, de uma família monoparental, que viva numa área rural, filha de imigrantes, que fala uma língua diferente em casa, não tenha frequentado o pré-escolar, tenha reprovado pelo menos uma vez e esteja no ensino profissional. Desta forma, terá 83% mais probabilidades de ter uma performance baixa.

Aqueles que são mais motivados, confiantes e que passam mais tempo em atividades ligadas à Matemática tendem a ter melhores resultados. Entre os vários fatores que afetam o desempenho está também o meio socioeconómico em que a criança está inserida. Sem conhecer o estudo em questão, o sociólogo Alfredo Bruto da Costa refere que "de um modo geral, os sistemas de ensino das sociedades ocidentais estão desenhados à imagem das famílias de classe média e média alta."

Por um lado, indica o sociólogo, uma criança "sem background" - sem frequentar o pré-escolar - será, desde logo, prejudicada no aproveitamento escolar. Lembrado, sem entrar em questões legais, de que há crianças que têm de trabalhar, "o tempo que podem dedicar aos estudos é menor". Também o tipo de apoio que têm dos pais e as condições em que estudam têm influência no seu rendimento.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG