Alerta para risco de colapso da indústria refinadora

O risco de colapso da indústria refinadora de açúcar da Europa, por falta de matéria-prima, levou a que 62 eurodeputados de 11 países escrevessem à Comissão Europeia pedindo alteração de normas, estando em Portugal 600 postos de trabalho em causa.

A carta ao comissário europeu da Agricultura, Dacian Ciolos, surgiu da eurodeputada britânica Marina Yannakoudakis, mas iniciativas no mesmo sentido já tinham sido colocadas pelos eurodeputados portugueses Mária do Céu Patrão Neves (PSD) e Capoulas Santos (PS).

A carta foi assinada por 62 eurodeputados, de 11 países, e contou com o apoio dos portugueses Luís Paulo Alves, Regina Bastos, Capoulas Santos, Correia de Campos, Diogo Feio, José Manuel Fernandes, Maria do Céu Patrão Neves, Paulo Rangel e Nuno Teixeira.

Em declarações à Agência Lusa, Mária do Céu Patrão Neves explicou que "quando se fez a última reforma do setor do açúcar, em 2006, ficou previsto que o fornecimento de ramas para a indústria europeia seria feito por países em via de desenvolvimento", sem impostos adicionais, não estando estes países a conseguir fornecer a quantidade suficiente para manter a indústria europeia e portuguesa a laborar.

"Como consequência, nós temos todas estas indústrias já estabelecidas em risco de entrarem em colapso. Na situação económico-financeira em que está a Europa e nomeadamente o nosso país, a última coisa que nós queremos é que indústrias que já estão no terreno, que têm estado a funcionar, que colapsem por falta de matéria-prima e que façam engrossar a lista dos desempregados", advertiu, acrescentando que em Portugal são 600 os postos de trabalho que podem estar em causa.

Segundo a eurodeputada do PSD, "a preocupação é a de insistir junto da Comissão Europeia no sentido das normativas que foram estabelecidas em 2006 sejam alteradas para que a indústria portuguesa e europeia possa importar rama", afirmando, no entanto, que a comissão "tem sido sempre muito renitente".

" agência Lusa, Capoulas Santos explicou que "a matéria-prima tem vindo a ser cada vez mais cara, o que coloca sérios problemas à indústria de transformação de ramas de canas-de-açúcar europeias, uma vez que podem adquirir com ausência de direitos ou com direitos alfandegários mais baixos até certas quantidades, mas a partir daí os direitos são extremamente elevados o que torna muito difícil a competitividade do setor".

"Aquilo que eu tenho procurado é que a comissão, atempadamente, desbloqueie a possibilidade de importação de matéria-prima em volumes que permitam à indústria europeia de transformação ser competitiva no mercado", disse.

O ex-ministro da Agricultura dos Governos de António Guterres apontou para a existência de "um lóbi europeu a partir dos produtores de açúcar de beterraba sacarina que pretendem, para defender as suas próprias produções, que as importações sejam dificultadas o mais possível", alertando para a necessidade de "se encontrar um justo equilíbrio entre ambas as indústrias".

O eurodeputado do CDS-PP Diogo Feio, salientando os 600 postos de trabalho que estão em causa em Portugal, considerou à agência Lusa que esta é "uma ação que dá força política alargada a preocupações de associações do setor, porque são vários deputados, de diferentes famílias políticas e de bastantes Estados".

"Como é óbvio, a partir do momento em que o assunto ganha esta repercussão, também se está a chamar a atenção não só do Governo português como também da própria Assembleia da República e portanto acredito que esta intervenção vai ter consequências", respondeu.

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