Alentejo perde população e Algarve ganha

A região do Alentejo foi a única do país em que a população diminuiu nas últimas duas décadas, tendo apresentado o maior decréscimo populacional entre 2001 e 2011, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE). Em contrapartida, o número de residentes no Algarve continua a aumentar.

O Retrato Territorial de Portugal, hoje divulgado, regista na década entre 2001 e 2011 "alguma estagnação no crescimento" da população portuguesa: em 2001 residiam em Portugal 10,356 milhões de pessoas e, em 2011, 10,556 milhões, mais 200 mil pessoas em dez anos, "o que se traduziu num crescimento de dois por cento na década".

A região do país que mais cresceu nas últimas duas décadas foi o Algarve (15,7%, entre 1991 e 2001, e 14,1%, entre 2001 e 2011), seguindo-se a Região Autónoma da Madeira (9,3%) e Região de Lisboa (6%).

Em 2011 residiam no país 114,5 indivíduos por quilómetro quadrado (km2), mas a distribuição populacional não era homogénea, já que das 4.260 freguesias existentes apenas 41 por cento (1.756) exibiam densidades populacionais superiores à média nacional.

A densidade populacional no continente revelava-se mais intensa no litoral entre Viana do Castelo e Setúbal e, a sul, no Algarve, entre Lagos e Vila Real de Santo António.

O INE destaca ainda um efeito de "bipolarização" nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, exemplificando que das 371 freguesias nacionais com densidade populacional superior a mil habitantes por km2, 143 localizam-se na Área Metropolitana de Lisboa.

"Pelo contrário, o Interior do Continente apresentava densidades populacionais reduzidas, em consequência do processo de despovoamento que se tem verificado nas últimas décadas", lê-se no relatório.

A Região de Lisboa lidera a densidade populacional por Km2 (851 habitantes em 1991 contra 940 em 2011), seguindo-se, com pouco mais de um terço de Lisboa, a Madeira. Já a região Norte, apesar de apresentar a maior proporção de população residente face ao total nacional (35%) "apresenta uma densidade populacional cerca de cinco vezes e meia inferior à de Lisboa".

Os menores rácios de habitantes por quilómetro quadrado situam-se nos Açores, Algarve, Centro e Alentejo, "com valores abaixo da média nacional".

Já os critérios que medem a alteração do local de residência demonstram que quase um quarto (23,1 por cento) da população residente alterou, em seis anos (de 2005 a 2011), o seu local de residência.

Por local de proveniência, foi maior a proporção de população "que mudou de residência dentro da mesma freguesia", do que no caso de ser proveniente de outra freguesia dentro do mesmo município, de outro município ou de outro país.

"Lisboa foi a região onde se registou uma maior mobilidade da população proveniente de outros municípios (33% do total de imigrantes residenciais)", adianta o relatório.

Já a análise dos fluxos migratórios internos, entre 2005 e 2011, sugerem que, a par da sub-região do Baixo Mondego (Centro), eram os territórios da Grande Lisboa e do Grande Porto que apresentavam balanços migratórios "mais deficitários", isto é, "eram territórios mais repulsivos do que atrativos", frisa o INE.

Península de Setúbal, Algarve e Oeste representavam, por seu turno, maior capacidade de atração de novos residentes e/ou de retração da saída de indivíduos.

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