Alentejo outra vez na corrida para Património da Humanidade

Alentejo quer candidatar verso improvisado a Património da Humanidade. A candidatura intitula-se "Cantos de Improviso, Diálogos de Paz entre Culturas" e será apresentada no domingo.

Várias instituições do Alentejo vão apresentar no domingo, em Orada, no concelho de Borba, a intenção de candidatar a décima, o teatro tradicional e o verso improvisado a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

Segundo revelou hoje a Associação de Desenvolvimento Montes Claros, sediada em Borba, no distrito de Évora, o objetivo é avançar com a candidatura "Cantos de Improviso, Diálogos de Paz entre Culturas" à lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Os promotores da iniciativa, que vai ser apresentada no domingo, às 15:30, na Casa do Povo de Orada, Borba, justificam que "a poesia popular do Alentejo e o teatro dos Bonecos de Santo Aleixo são potenciais candidatos a Património da Humanidade".

A candidatura pretende incluir o teatro dos Bonecos de Santo Aleixo (marionetas), a décima memorialista e a décima improvisada, assim como "formas de improviso praticamente hoje à beira da extinção".

A intenção da candidatura vai ser apresentada pelo antropólogo Paulo Lima, coordenador da candidatura do cante alentejano a Património da Humanidade, reconhecimento obtido em novembro de 2014.

A iniciativa é promovida pela Junta de Freguesia de Orada, Associação de Desenvolvimento Montes Claros e Europalop-Centro de Estudos para o Desenvolvimento, com o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, aproveitando o 92.º aniversário de António João Morgado, poeta popular e último tocador de guitarra dos Bonecos de Santo Aleixo, que vai ser homenageado.

Na mesma altura, vai ser apresentado um documentário sobre Sandes e os seus "Bonecos" e um espetáculo com os Bonecos da Ti Melindra (Bonecos de Santo Aleixo), de São Bento do Cortiço, no concelho de Estremoz.

Segundo os promotores, "a décima, para além de ser o texto maior da poesia popular/tradicional alentejana, possui também uma forte representatividade em toda a Ibero-América" e "em muitos países da América do Sul e Central é, inclusive, considerada como o texto poético nacional".

"A décima no mundo ibero-americano foi um texto fundamental como suporte de cantos libertários e no sul de Portugal ajudou a estruturar a prática política e os movimentos sociais entre finais do século XIX e o século XX", referem os promotores.

"Procurando a boa prossecução desta intenção e a construção de uma candidatura séria que possa reunir diversos países", adiantam, "encontra-se já em desenvolvimento um conjunto de ações tendentes a implementar no terreno um plano de salvaguarda para este património que corre sério risco de extinção: a décima, o teatro dos Bonecos de Santo Aleixo e a palavra poética improvisada".

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