Gripe Suína: Clínicos preparados para surto nos Açores

A Ordem dos Médicos nos Açores assegurou hoje que os clínicos estão preparados para um eventual surto de gripe suína, mas alertou para a necessidade de acelerar a implementação do plano de contingência do arquipélago.

"Penso que os médicos nos Açores estão preparados para dar resposta numa eventual situação de gripe suína. Precisamos é que a implementação do plano regional de contingência seja acelerada", afirmou Eduardo Pacheco, que lidera a delegação da Ordem dos Médicos nos Açores, recordando que só agora é que o Plano de Contingência dos Açores para a Pandemia da Gripe entrou na fase de implementação.

 Eduardo Pacheco, que falava numa conferência de imprensa em Ponta Delgada, considerou que "a saúde nos Açores não está bem", apontando o exemplo do Estatuto do Serviço Regional de Saúde, com dez anos de existência, mas que continua por aplicar na sua totalidade, criando "situações de desequilíbrio".

"O documento, definidor e orientador da política de saúde e matriz organizativa do sector foi abandonado pelo governo açoriano, aparentemente com o desinteresse da Assembleia Legislativa Regional, que o aprovou em 1999", afirmou Eduardo Pacheco.

Neste âmbito, salientando que, até agora, apenas foram criadas duas das nove unidades de saúde de ilha inicialmente previstas, no Pico e em S. Jorge.

Frisando que esta prolongada indefinição tem repercussões particularmente negativas no trabalho dos médicos, Eduardo Pacheco referiu que a Ordem só encontra três soluções para o Estatuto: aplicá-lo tal como está, reformulá-lo ou criar um novo documento.

Além disso, o responsável pela delegação da Ordem dos Médicos apontou a existência de uma "clara ilegalidade" no exercício do cargo de autoridade de saúde regional, que deveria ser preferencialmente exercido por um médico com a especialidade de saúde pública, o que não sucede presentemente, já que é assumido pela actual directora regional da Saúde, jurista de formação.

No entanto, salvaguardou o trabalho que tem sido feito por Sofia Duarte, que "é assessorada por médicos" no desempenho do cargo de autoridade de saúde regional.

"Este dado realça a perturbante e pouco aceitável tendência para uma exagerada preponderância e interferência da política sobre áreas eminentemente técnicas", afirmou Eduardo Pacheco, que denunciou ainda a inexistência de um planeamento de saúde no arquipélago.

 Segundo este responsável, a maioria da actual legislação em saúde, seja nacional ou regional, tem sempre apresentado um cariz predominantemente gestionário e administrativo, alheando cada vez mais os técnicos das decisões.

Nos Açores, a Ordem dos Médicos tem inscritos cerca de 400 clínicos.

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