Acção "muito dura" para quem passa atestados indevidos

O bastonário dos médicos, José Manuel Silva, garantiu hoje que a Ordem profissional que dirige terá "uma intervenção adequada e necessariamente muito dura" se for provado que há clínicos que andam a passar atestados indevidos.

O responsável da Ordem dos Médicos (OM) falava no Funchal, no decorrer de uma conferência de imprensa para divulgar aspectos relacionados com a polémica em torno do funcionamento do serviço de ortopedia no hospital da capital madeirense, sobre o caso dos 18 polícias de Braga que faltaram no domingo ao serviço em três esquadras como forma de protesto contra os novos horários de trabalho e apresentaram atestados médicos para justificar a falta. "Não tenho conhecimento concreto da situação, com excepção daquilo que veio referenciado na comunicação social", disse José Manuel Silva, que não adiantou se a OM vai indagar o que se passa em Braga com as baixas passadas a polícias.

No entanto, garantiu que, "se eventualmente, em qualquer circunstância, se se provar que algum atestado médico não foi passado de acordo com estado da arte e com uma situação de doença objectivada e registada no processo clínico doente, naturalmente a Ordem terá uma intervenção adequada, que será necessariamente muito dura". O bastonário sublinhou que "a Ordem dos Médicos está absolutamente empenhada em defender a dignidade da prática médica e a qualidade da medicina portuguesa e dos médicos portugueses". "Não teremos qualquer tipo de contemplações que possam pôr em causa a ética e a deontologia médicas, assim se consigam provar eventuais situações de desvio dessa ética", sustentou.

Considerou que o actual sistema está "subvertido", defendendo ser necessário "responsabilizar mais cidadãos", pelo que deve ser criado um outro tipo de mecanismo para comprovar as doenças, uma sugestão que a Ordem dos Médicos já levou ao Presidente da República. "Esta é uma situação complexa de resolver", frisou, adiantando que foi criada uma "paranóia dos atestados". Instado também a comentar a medida que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) vai adoptar para evitar erros clínicos nos hospitais através da colocação de uma pulseira de identificação aos doentes que dão entrada em hospitais públicos, o bastonário sustentou ser "um passo no bom sentido", por ser "perfeitamente normal tomar todas as medidas para evitar" esse tipo de situações.

Entretanto, questionada sobre se vai desencadear alguma acção a propósito das 18 baixas médicas verificadas no domingo com polícias em Braga, a Direcção Nacional da PSP respondeu à agência Lusa que "não compete à PSP averiguar a veracidade de qualquer tipo de baixa médica interposta por elementos policiais, pois estas são atestadas por profissionais de saúde". "Neste sentido, a PSP limita-se a cumprir o que está estipulado na lei, considerando a falta ao serviço justificada, sempre que for devidamente certificada", acrescentou.

Mais Notícias