"A vida pública tem deveres de transparência"

Entrevista a Miguel Frasquilho, presidente da AICEP

A propósito deste crescimento económico que existiu no terceiro trimestre e foi conhecido nesta semana, para a oposição, estes resultados deixam pouco espaço de manobra para insistir na análise que estava a ser feita de que este executivo e esta política só poderão dar mau resultado?

Eu penso que não cabe ao presidente da AICEP fazer análises de política partidária...

Está de saída...

Mas deixe-me dizer...

Perguntamos a Miguel Frasquilho, militante do PSD.

Mas eu vou dar-lhe a minha opinião. O que eu quero salientar destes dados é que são bons resultados para o país e me facilitam a tarefa de continuar a promover Portugal lá fora. É aí é que quero concentrar-me.

Trabalhou na banca, trabalhou no Ministério das Finanças, tem uma experiência profissional perfeita para nos dar o seu comentário sobre o que se está a passar na Caixa Geral de Depósitos.

Posso dizer-lhe que a minha opinião é que o sistema financeiro português precisa de instituições fortes. Quando nós estamos a falar do maior banco do nosso sistema financeiro, que é o banco público, é evidente que quanto mais depressa a questão for ultrapassada, isso é vantajoso para todos e para o país, em últimos caso. Portanto, parece-me evidente que todos teríamos a ganhar se a situação já tivesse sido ultrapassada ontem.

Mas não tendo sido, o presidente do conselho de administração que formou uma equipa com base num acordo, feito com o governo, tem direito ou não a tentar fazer vingar esse acordo e a demorar o tempo que for preciso para esclarecer?

Vou responder-lhe assim: eu não sei o que é que se passou nesse acordo, não faço ideia. O que eu lhe posso dizer é que estou na vida pública há muitos anos. E fui membro do governo, fui deputado, agora sou presidente da AICEP...

Foi numa área que tem que ver com este assunto.

Exato. E eu, desde que entrei na vida pública, sempre entreguei as minhas declarações de rendimentos.

Mas se tivesse negociado que não tinha de as entregar?

Quando ingressei na vida pública, sabia que teria deveres de transparência mais elevados do que na vida privada. Portanto, essa questão nem sequer se colocou.

Ultrapassava-se isto com todos os administradores a entregar a declaração. É isso que nos diz?

Eu penso que a partir do momento em que as coisas chegaram ao estado em que estão acho que os desafios na esfera pública têm determinadas particularidades e elas devem, do meu ponto de vista, ser cumpridas. Eu também cumpri a minhas.

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