A terceira tentativa de Santana Lopes criar novo partido político

Fundar um partido com as iniciais PSL em 1996 resultou da desilusão com a liderança do PSD por parte de Marcelo Rebelo de Sousa.

Pedro Santana Lopes, o político social-democrata que identifica o partido como PPD, parece estar pela terceira vez disponível para fundar outro partido.

Figura muito ligada a Sá Carneiro, presidente do PSD durante quase seis meses (12 de novembro de 2004 a 08 de abril de 2005), Santana Lopes surgiu pela primeira vez associado a um novo partido - o Partido Social Liberal, que correspondia às suas iniciais - em 1996.

Marcelo Rebelo de Sousa era então o presidente dos sociais-democratas - derrotando Santana com quase o dobro dos votos no Congresso de 1996 - e essa disponibilidade do chamado "enfant terrible" do PSD veio a público através do semanário Independente. Dessa fase de desencanto nasceu o jornal o Liberal.

Candidato derrotado à liderança do PSD em 2000, contra Durão Barroso, Santana Lopes entraria uma década num novo período de forte desânimo com os caminhos do PSD e, em particular, com o apoio dado a Pedro Passos Coelho por parte dos seguidores de Manuela Ferreira Leite.

Este episódio foi contado em 2011 por Pacheco Pereira, segundo o qual ele e outros teriam sido abordados por Pedro Santana Lopes para formar um novo partido - algo que o visado explicaria depois não ter passado de um desabafo natural de quem está muito desiludido.

"Muitas vezes, quando temos histórias de amor ou relacionamentos de amizade, às vezes zangamo-nos, estamos cansados e podemos ter desabafos", justificou em entrevista ao Observador.

Agora, após a derrota de há alguns meses contra Rui Rio e mantendo-se viva a sua forte legião de apoiantes, Pedro Santana Lopes volta a afastar-se do PSD dando a garantia que agora "acabou mesmo" a sua permanência no partido.

Na entrevista publicada esta quinta-feira pela revista Visão, Santana Lopes admite criar "uma nova organização partidária" que lhe permita "ter a intervenção política" necessária para dar corpo às suas ideias.

O ex-primeiro-ministro garante que vai deixar o PSD, partido com o qual admite ter uma "relação de amor espantosa", e até utiliza uma imagem conjugal para definir como está esse relacionamento: "Se quiserem, deixámos de viver juntos", afirma no excerto esta quarta-feira avançado pela Visão.

Santana acrescenta que "não é fácil lidar com essa realidade", mas garante que "isso acabou". E para quem tenha dúvidas da certeza do antigo líder social-democrata, acrescenta: "Mas acabou mesmo"

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