"A qualidade de vida tinha piorado"

Manuel Salgado é arquiteto e é vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro do Urbanismo.

Estas novas regras de restrição da circulação dos autocarros de turismo ocasionais são uma nova forma de retirar veículos do centro da cidade?

O crescimento do turismo de forma exponencial trouxe esta atividade conexa, que foram os passeios turísticos com autocarros de grande porte e ocasionais para o centro da cidade, alguns até com matrícula estrangeira. Isto fez piorar muito a qualidade de vida dos residentes, sobretudo no centro histórico.

Além do trânsito, que outros transtornos causam estes autocarros?

Geram mais poluição na cidade, trepidações, entupimento do trânsito e até põem em causa a conservação dos monumentos. Por exemplo, a quantidade de autocarros deste tipo junto da Sé tem posto em causa a qualidade da pedra do monumento.

A ideia é, portanto, regular um setor que estava desregulado?

Pretendemos regular esta atividade, tal como já acontece para os circuitos turísticos autorizados, que têm paragens obrigatórias e não esperam os passageiros em qualquer ponto da cidade. Vamos permitir veículos até nove passageiros para transportar turistas de e para os hotéis, mas os circuitos turísticos, mesmo com estes minibuses, têm ser previamente autorizados.

E haverá exceções?

Em situações excecionais, autorizadas pela câmara municipal, será possível circular nas zonas interditas com autocarros maiores. Por exemplo, num evento que se realize no Castelo de São Jorge.

Os operadores turísticos têm sido ouvidos pela câmara sobre esta matéria que lhes diz diretamente respeito?

Tem havido reuniões com as operadoras turísticas, mas reconheço que não têm vindo a ser fáceis. São situações que já estavam estabelecidas no terreno há algum tempo e que, agora perante a regulação, é normal que haja resistências.

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