"A esquerda faz austeridade com o coração a sangrar e nós a sorrir como um palhaço?"

O vice-presidente do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes, diz que a classe média "está a pagar a agenda do PCP e do BE"

A "moderadora" Cecília Meireles, deputada centrista para a área económica, prometeu que o debate não seria aborrecido, como receavam alguns "jotinhas" quando olharam o tema - Economia e Modelo de Crescimento - na manhã deste sábado, no arranque do terceiro dia da Escola de Quadros do CDS, em Peniche. E Adolfo Mesquita Nunes, o carismático ex-secretário de Estado do Turismo e vice-presidente do partido não deixou que a promessa de Meireles ficasse por cumprir. Chamou atenção para a "mudança cultural" que se tem verificado com o atual governo "que encara as empresas como rivais das pessoas" como se estas "não fossem feitas por pessoas e não prestassem serviços a pessoas". Em Portugal, assinala, "discute-se mais as intenções do que os resultados e isso é visível no atual quadro politico. Quando o primeiro-ministro diz aos professores que têm muitas oportunidades lá fora, a desculpa para dizer uma coisa destas, semelhante à que Pedro Passos Coelho tinha dito, é que o tom e a intenção são diferentes. Mas desde quando é que se presume que quando a esquerda aplica a austeridade o faz com o coração a sangrar e nós a sorrir como um palhaço?", questionou.

Mesquita Nunes olhou para os dados mais recentes da execução orçamental e constatou que "estão a subir as despesas com salários públicos e juros e a descer os investimentos públicos e a ação social". Este governo, salientou, "está a praticar austeridade para a classe média, para a economia, para os serviços públicos e tudo para pagar a agenda do PCP e do BE. Em nome desta agenda da extrema-esquerda estamos a degradar a situação das pessoas e a cortar na ação social".

"Com um Governo que é apoiado pelo PCP e pelo BE, que corta na ação social, no investimento e degrada os serviços públicos para agradar à esquerda temos uma oportunidade de demonstrar porque é que um país com liberdade económica é melhor do que este país que estamos a construir", defendeu.

Segundo Adolfo Mesquita Nunes, "aquilo que mais impressiona o CDS é o facto de se ter posto tanta coisa em causa em tão pouco tempo para agradar a agenda do PCP e do BE".

O dirigente centrista acredita ser "possível governar sem pôr tudo em causa". Ainda sem abrir o jogo quanto à posição do seu partido em relação ao orçamento de Estado para 2017, dá a entender que a estratégia pode ser semelhante à do OE de 2016, em que os centristas apresentaram algumas propostas. ""A mais valia do CDS no atual expectro político é que não é por revoluções nem reformas de um dia para o outro. É pela sensatez, gradualismo e ponderação. Haver consenso à volta de uma ideia má não serve para nada. Apesar de ser assumidamente um liberal e não um democrata-cristão, a democracia cristã ao CDS a possibilidade de fazer uma oposição gerando políticas que possam ser consensualizadas com partidos que pensam de maneira diferente", afiançou.

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