56 portugueses assassinados pelo franquismo na Galiza

Uma equipa de investigadores de Santiago de Compostela elaborou uma lista com 56 republicanos portugueses assassinados pelo franquismo espanhol na região da Galiza, revelou à agência Lusa o historiador Fernando Rosas.

Em colaboração com os colegas galegos, as universidades portuguesas Nova de Lisboa e Minho associaram-se à descoberta "inédita", coorganizando uma homenagem póstuma aos portugueses que se bateram pela República durante a guerra civil espanhola, que se realizará em Ourense, na Galiza, a 13 e 14 de abril, e em Monção, no Norte de Portugal, a 15 de maio.

O historiador Fernando Rosas, presidente da direção do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, adiantou à Lusa que a lista de "56 portugueses confirmadamente mortos pela repressão franquista na Galiza" baseia-se numa investigação do projeto inter-universidades Nomes e Vozes.

Os investigadores, coordenados por Dionidio Pereira, da universidade de Santiago de Compostela, fizeram "o levantamento, caso a caso, da repressão" franquista na Galiza e decidiram "autonomizar os portugueses", num "estudo muito exaustivo".

Estes republicanos portugueses -- homens e "algumas, poucas, mulheres" -- eram "trabalhadores portugueses estabelecidos na Galiza, filiados em sindicatos ou partidos de esquerda", sobretudo detidos e executados "nos primeiros dias da guerra civil", porque os franquistas triunfaram rapidamente nesta região, explicou Fernando Rosas, acrescentando que se conhecem agora os seus nomes, idades, profissões e, nalguns casos, as origens.

De acordo com a investigação, há "151 casos de cidadãs e cidadãos portugueses radicados em diferentes pontos da Galiza que foram alvo de represálias por parte dos franquistas", dos quais "56 foram confirmadamente assassinados".

Na maior parte dos casos, refere Rosas, "sabe-se da localização dos corpos", enterrados em valas comuns.

Ainda "não havia nenhuma investigação feita" sobre o envolvimento dos portugueses no lado republicano da guerra civil, e também no lado franquista, "em nenhuma região de Espanha", destaca o historiador português.

A investigação agora divulgada -- cujos resultados serão apresentados nas homenagens aos mortos -- respeita apenas à Galiza. "É uma pequena [parte]. Terão morrido, no nosso cálculo, muitas centenas de portugueses na guerra civil de Espanha, no lado republicano", realça Rosas.

"Há casos desses um pouco por toda a fronteira e esse levantamento falta fazer", reconhece, dizendo que pode ser que este trabalho galego contribua "para o arranque" de "uma investigação tipicamente luso-espanhola".

A homenagem aos republicanos portugueses terá dois momentos: um na Galiza, em Ourense, a propósito da fundação da república em Espanha, a 13 e 14 de abril; e outro em Monção, no dia 12 de maio, numa iniciativa das universidades do Minho e Nova de Lisboa e da autarquia local.

Em Monção, será descerrada uma lápide com os nomes e origens em Portugal dos 56 republicanos, junto ao rio, no local onde a guarda republicana enviava os espanhóis republicanos refugiados para o outro lado, onde eram fuzilados pela guarda civil e pelos franquistas, explicou, adiantando que o ex-Presidente da República, Mário Soares, estará presente na cerimónia.

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