20 a 25% do concelho de São Brás de Alportel ardeu

Entre 20 a 25 por cento do concelho de São Brás de Alportel terá ardido nos últimos dias, no incêndio que atingiu sobretudo os meios de subsistência de pessoas com uma média de idades elevada, estimou o presidente da junta.

O presidente da única junta de São Brás de Alportel, David Gonçalves, e os vereadores da proteção civil e da ação social visitam hoje os locais mais atingidos para fazerem uma avaliação das condições em que estão as pessoas afetadas pelo fogo e que têm sido acompanhadas por psicólogos.

"As pessoas ontem [no sábado] já regressaram às suas casas durante a parte da manhã. Neste momento a nossa preocupação não serão os bens que foram perdidos, mas as pessoas e as condições em que estão", disse.

David Gonçalves afirmou que muitas das pessoas "estão bem, em casa de familiares".

Segundo o autarca, apenas durante a próxima semana os meios da câmara e da junta deverão reunir-se para avaliar o que foi perdido em termos de bens.

"Tenho a ideia que anda à volta de cerca de 20 a 25% a área ardida no concelho, uma faixa de 30 a 40 quilómetros", estimou.

De acordo com David Gonçalves, "o mais grave" é que o que ardeu no concelho foi sobretudo "o meio de sobrevivência das pessoas", que se dedicavam à colheita da cortiça e à pequena agricultura.

"E isso desapareceu completamente não para todas, mas para algumas pessoas. Há pessoas que ficaram sem absolutamente nada e que nunca mais vão reaver os seus bens. Para um sobreiro dar cortiça, são pelo menos 30 a 40 anos. As pessoas têm idades com uma média para cima dos 70 anos e nunca o verão", disse.

Vamos ver o que se pode fazer daqui para a frente, vai ser difícil mas aquilo que nos preocupa aqui são as pessoas.

Desta forma, defendeu, "vai ser difícil, mas as pessoas terão de rever a sua forma de sobrevivência naquele meio e provavelmente terão de ser encontradas alternativas para isso".

"O Governo obrigatoriamente também terá de tomar medidas em relação ao que foi perdido", afirmou.

O autarca salientou ainda que, apesar das críticas ao trabalho dos bombeiros, nomeadamente acerca da coordenação na Cabeça do Velho, essa falta de coordenação terá sido por parte do comando a nível nacional.

"Porque em termos de homens, em termos de trabalhos no terreno, tivemos aqui bombeiros do país inteiro e foram inexcedíveis", destacou.

O incêndio que lavrou desde quarta-feira no Algarve foi finalmente dominado no sábado à tarde, embora persistam focos.

O fogo no Algarve foi declarado como dominado às 17:45 e a Proteção Civil prevê que as chamas não voltem a alastrar, sendo os focos de incêndios mais preocupantes a norte de São Brás de Alportel e junto a Cachopo, em Tavira.

O presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho, disse que já estimou que um terço da área total do concelho ardeu neste incêndio.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG