Vital Moreira diz que Bruxelas não pode "sacudir a água do capote"

O eurodeputado socialista criticou hoje a visão prevalecente em Bruxelas, segundo a qual a crise destes últimos anos não passa de uma "crise da dívida soberana" e que ela é toda culpa dos Estados-membros que se endividaram demais, não tendo a Comissão Europeia nenhuma responsabilidade nisso.

"Dos Estados-membros que vieram a ter uma crise da dívida pública, dois deles (Irlanda e Espanha) não tinham nenhum problema desses no início da crise, bem pelo contrário. Mesmo Portugal tinha feito entre 2005 e 2008 um notável esforço de consolidação orçamental e de contenção da dívida. Foram a crise bancária e a crise económica que lançaram aqueles países na crise de dívida soberana. Portanto, não é aceitável a redução da história da crise à 'prodigalidade despesista' dos Estados atingidos pela crise. Embora culpados de políticas imprudentes em vários aspetos, eles foram em grande parte vítimas da crise que lhes caiu em cima", afirma Vital Moreira em comunicado.

"A verdade é que a União, a começar pela Comissão Europeia, tem uma quádrupla responsabilidade no desencadeamento e agravamento da crise: (i) não assegurou um efetivo cumprimento do próprio pacto de estabilidade e da disciplina orçamental (o que facilitou o endividamento excessivo de muitos países); (ii) não promoveu a criação de uma efetiva regulação do setor financeiro, deixando estabelecer um mercado financeiro integrado desacompanhado de um sistema de regulação a nível da União (o que facilitou a crise bancária logo no início); (iii) não cuidou de instituir os pilares em falta da união monetária, nomeadamente a união orçamental e a união bancária; (iv) fechou os olhos ao crescimento de "bolhas de crédito" (por exemplo, na Irlanda e em Portugal) e de "bolhas imobiliárias" (por exemplo, na Irlanda e em Espanha), que eram obviamente insustentáveis e que ameaçaram a estabilidade sistémica da zona euro", prossegue o eurodeputado.

"Por isso, não é aceitável que a Comissão tente 'sacudir a água do capote' da União quanto à responsabilidade pela crise", conclui Vital Moreira.

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