"Visita da 'troika' deu fôlego à farsa de Passos e Portas"

Secretário-geral do PCP, em campanha no Lavradio, disparou em todas as direções. Governo foi o principal visado, mas o Presidente, o PS e até José Sócrates não ficaram de fora.

Foi o discurso mais duro de Jerónimo de Sousa desde que a campanha da CDU para as eleições autárquicas teve início. Os cerca de mil presentes na Sociedade Filarmónica Agrícola do Lavradio (SFAL), no Barreiro, ouviram na noite desta quinta-feira os rasgados ataques do líder comunista ao Governo, ao PS e à troika, como vem sendo habitual, mas as agulhas viraram-se, desta feita, também para outras direções.

Embalado pela intervenção de Heloísa Apolónia (PEV), que o antecedeu, Jerónimo de Sousa censurou a "política de rapina da riqueza nacional" levada a cabo pelo Executivo PSD/CDS, salientando, porém, que fora José Sócrates a abrir as portas para a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Europeia (CE) e do Banco Central Europeu (BCE).

"Pelas mãos do PS de Sócrates já se desbravava o caminho que a atual maioria veio consolidar", afirmou a propósito do resgate financeiro e da austeridade dos últimos anos, vincando que "nem uns [Governo], nem outros [PS] têm moral" para reivindicar "mais 0,5% ou menos 0,5%" no que respeita ao défice orçamental.

Assim, o também deputado comunista condenou os "passos de mágica" e as "artimanhas" dos três partidos que subscreveram o "pacto de agressão", "colocando o País num colete de forças" e recorreu a uma expressão que Paulo Portas utiliza regularmente - "protetorado" - para ilustrar a situação de Portugal.

Sobre a presença dos técnicos da troika em Lisboa e as críticas de alguns membros do Governo às suas imposições Jerónimo foi lacónico: "A visita daqueles três funcionários está a ser aproveitada por Passos e Portas para dar novo fôlego à farsa propagandista."

O Presidente da República também não escapou à acutilância do secretário-geral do PCP, que disse que foi Cavaco Silva a "manter o Governo vivo" ainda que "de forma artificial".

Antes da intervenção de Jerónimo de Sousa, a deputada Heloísa Apolónia, que fez a sua primeira aparição na campanha, sublinhara que todos os apoiantes da CDU terão de ser "agentes de combate à abstenção", revelando, por outro lado, que o ato eleitoral do dia 29 de setembro servirá para "penalizar os partidos que fizeram muito mal ao País".

"Este Governo tem de se ir embora, esta gente não se pode rir depois das eleições. O povo não pode aguentar tudo e há limite para o descaramento e para a falta de pudor", atirou na sequência das palavras dirigidas ao FMI, à CE e ao BCE, defendendo que os portugueses não podem servir como "ratinhos de laboratório".

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