Uma manhã na feira com Catarina Martins

O quarto dia de campanha do Bloco anda pelo norte. A começar em Santa Maria da Feira.

"Que idade terá, mais ou menos?" O homem aponta para Catarina Martins, que visita uma feira em, precisamente, Santa Maria da Feira. A resposta é vaga e interrogativa: "30 e tal?" [afinal, nasceu em 1973]. Sem querer dizer o nome, o inquiridor, 77 anos e pensionista da CGA, louva a deputada e coordenadora nacional do BE: "Gosto muito desta senhora, fala muito bem." Ao lado, outro ajunta: "Quando chegar aos 40 é que vai falar ainda melhor." São 11 e pouco da manhã quando a comitiva do Bloco, menos de 15 pessoas com bandeiras encarnadas e azuis, corre os toldos em que se vende desde sapatos a patos, passando por hortaliça, roupa, enchidos e cerâmica, distribuindo panfletos e sorrisos.

Noémia, 71 anos, sorri de volta quando recebe o material das mãos de Catarina, que está acompanhada do também deputado Pedro Filipe Soares. "Conheço esta moça da TV, a que vai na frente. Ela sabe falar quando é nos comícios. É toda desenrascada." Vendedora de louça tradicional de barro há 50 anos, Noémia está reformada desde os 65 anos, recebendo 300 euros, mas continua a trabalhar, com o marido, que acha que "devia ir cada partido um ano para o governo", para ver o que faziam. A mulher concorda: "Pois, estes nunca lá estiveram, não têm culpa de lá não terem estado."

Pois, diz a lisboeta Lídia Ferreira, que se cruza com os bloquistas numa outra tenda. "Quando se está cá fora diz-se faz-se isto, faz-se aquilo. Quando se está lá dentro é diferente." Esta votante do CDS/PP sabe do que fala. "Sou de direita e sou do contra." Despede Catarina Martins, que se afasta, com um sorriso escarninho: "Já viu alguns destes do Bloco se elegerem? Só servem para deitar abaixo os outros."

Mais Notícias

Outras Notícias GMG