"Troika continua cá com a cara do primeiro-ministro", acusa Manuel Alegre

Aplaudido no final de pé, o histórico socialista deixou violentas críticas à reunião do Conselho de Ministros de hoje e pediu a uma "certa esquerda" que "aprenda com Álvaro Cunhal".

Manuel Alegre criticou duramente a reunião extraordinária do Conselho de Ministros que se realizou hoje de manhã, por não entender o que pode "celebrar" o Governo neste dia 17 de maio, em que termina o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF).

Este sábado à tarde, durante a Convenção socialista do "Novo Rumo", que decorre em Lisboa, o histórico socialista questionou se o Governo "está a celebrar a pobreza, o desemprego, a fome a que tantas famílias estão sujeitas". E apontou: "Não celebramos a falsa saída da troika que continua cá dentro com a cara do primeiro-ministro."

Antes, Manuel Alegre tinha criticado os "graves desvirtuamentos" do projeto da União Europeia (UE), com os tratados de Maastricht (1992) e de Lisboa (2007). Este tratou-se de um acordo alcançado durante a presidência portuguesa, quando estava no governo José Sócrates, tendo recebido fortes aplausos com estas críticas.

Para o antigo deputado, Maastricht "pôs em causa o modelo social europeu" e Lisboa "alterou o equilíbrio de poderes" no seio da UE. "Se se mantivesse o direito de veto, Portugal e a Grécia não estariam na situação em que estão", antecipou.

Alegre dirigiu-se depois a Seguro para elogiar o facto do líder socialista dizer que não promete mais do que aquilo que conseguirá fazer se for eleito, mas deixou-lhe um pedido: "António José Seguro deve prometer e cumprir que não fará esta política", disse, referindo-se às atuais políticas europeia e do Executivo de Passos Coelho. "E que vai bater-se na Europa, se for preciso sozinho, contra tudo e todos", defendeu.

Na parte final da intervenção, o antigo candidato presidencial, que foi apoiado também pelo BE, deixou recados a uma "certa esquerda". "Seria bom que alguns aprendessem alguma coisa com Álvaro Cunhal", recordando o apoio dado pelo PCP na segunda volta das eleições presidenciais de 1986 a Mário Soares. "Cunhal não se enganou de inimigo", apontou, "ao contrário de alguns dos seus sucessores".

"O PS não é, nem será o terceiro partido da direita, como parece desejar uma certa esquerda", rematou, sendo aplaudido no final de pé e levando parte da plateia a gritar PS.

Logo de seguida ao discurso de Alegre entrou na sala Jorge Sampaio, também aplaudido de pé. A plateia voltaria a levantar-se logo depois, quando o orador seguinte, o ex-secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues, pediu "um grande aplauso em memória de Sousa Franco", o cabeça de lista às europeias de 2004, que morreu então durante a campanha.

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