Tiros de caçadeira. "É um atentado à democracia", diz candidata de Palmela

Linda Oliveira garantiu ao DN que, apesar do susto, não vai mudar nada na sua campanha eleitoral. A GNR já comunicou o ocorrido à Polícia Judiciária, o órgão de polícia criminal com competência de investigação dos crimes com armas de fogo

A candidata à junta de freguesia de Palmela falou ao DN a partir do Posto da GNR, onde estava com o marido, depois de uma noite de inquietação por causa da situação inaudita em que se viu envolvida. Ambos foram inquiridos na qualidade de denunciantes.

"Confesso que ainda nem consigo bem assimilar o que aconteceu. Foi tudo tão rápido. Todos sabem que em Palmela se tem sido sentido algum aumento de criminalidade, como roubos, mas nunca tinha acontecido uma coisa destas", assinala.

Linda Oliveira em discurso direto: "Eram cerca de 22h30 e estava com o meu marido no cruzamento da avenida dos combatentes das Forças Armadas com a Estrada do Lau, em Palmela. Iamos começar a pendurar uma faixa e até se tinha aproximado um senhor que nos conhecia. De repente passa a alta velocidade uma mota sem luzes, com duas pessoas vestidas de preto, reparámos que não tinha capacete mas como estava escuro não conseguimos ver o rosto. Quando chegam mais à frente na estrada do Lau, voltam atrás e quando passam por nós disparam dois tiros de caçadeira da nossa direção. Acho que não era para matar, mas foi claramente na nossa direção. Quando ainda estávamo a tentar perceber o que se estava a passar, voltaram a passar de novo e dessa vez disparam contra uma vivenda próxima de nós. O dono da casa saiu à rua assustado a perguntar se estávamos bem. Disse-nos que estava na sala com a família quando ouviram os tiros e até lhes disse para se deitarem no chão".

A candidata, que nasceu e viveu toda a sua vida em Palmela, diz que quer esse morador quer o marido ligaram logo para a GNR que "demorou cerca de 20 minutos a chegar".

Linda Oliveira assume que a situação os "assustou muito", e desconfia que possa ter sido "algo premeditado" não contra si em particular mas "contra a candidatura do CDS-PP". "Acho que pode haver a intenção de constranger a nossa campanha de alguma forma. É um atentado à democracia", protesta.

Questionada sobre se tem inimigos, ou se tem recebido ameaças que pudessem fazer prever uma escalada de violência como a que sucedeu, a candidada diz que não. "O CDS-PP tem trazido para a agenda muitas preocupações de toda a população, temos sido, em geral, muito bem recebidos, apesar de algumas críticas mais ofensivas".

Apesar do susto, Linda Oliveira garante que não vai mudar em nada a agenda da campanha eleitoral. "Se era essa a intenção, perderam. Vamos continuar nas ruas a defender as nossas ideias", afiançou.

Em comunicado, entretanto divulgado, o comando-geral da GNR "confirma que recebeu uma denúncia via 112, que dava conta de disparos de uma arma de fogo, por 2 indivíduos que se faziam transportar num motociclo".

Segundo esta força de segurança "a denúncia telefónica terá sido feita por um trabalhador de afixação de cartazes eleitorais que se encontrava a laborar no local, e posteriormente pelo alegado proprietário de uma habitação. Foi ainda feita inspeção do local na tentativa de recolher qualquer vestígio".

Acrescenta a GNR que "pela natureza do crime foram comunicados os factos à Polícia Judiciária, que detém a competência para investigação. Relativamente a estes factos foi recebida uma queixa no Posto de Palmela e foi elaborado Auto de Notícia".

Atualizado às 15h30 com a informação da GNR

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